sábado, 26 de setembro de 2020

Como calar a boca de um bolsonarista

Se excluirmos Lula e o PT do vocabulário, os bolsonaristas ficam sem assunto.

É incrível a fixação. Pior que os próprios petistas, Bolsonaro e seus seguidores tem verdadeiro fetiche pelo petismo e pela esquerda.

Bolsonaro é ladrão. E o Lula?

Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da Michele. Ah! E a Mariza, que ficou milionária vendendo Avon?

O filho do Bolsonaro é delinquente (qualquer um, o zero-qualquer-coisa). Mas e o Lulinha?

Tem outras variações sobre o mesmo tema: esquerdalha, comunista, Cuba, Venezuela, China, Globo lixo, extrema imprensa, traíra e... pronto!

Proíba um bolsonarista de usar algum destes termos (ou todos juntos, de preferência associados a alguma agressão com referência ao prazer anal ou à mãe do oposicionista) e acabará todo o repertório dele.

Porque aos bolsonaristas não interessa provar que são honestos, competentes, íntegros, dignos, inteligentes. Basta argumentar que os petistas são iguais ou piores.

Se este governo rouba, e daí? Os petistas roubaram antes. Se este governo é golpista, medíocre e autoritário, imagine então na Venezuela.

A familícia movimentou milhões em dinheiro de corrupção... E os bilhões do PT, não vão falar nada?

Bolsonaro defende ditadura, idolatra torturador. E os comunistas mataram quantos? E o Celso Daniel?

Bolsonaro debocha do coronavírus. Claro, é tudo uma conspiração chinesa.

Bolsonaro menospreza o incêndio no Pantanal, o desmatamento na Amazônia. Ora, vai dar ibope pra ONG que bota fogo no mato para tomar o que é nosso?

Bolsonaro tem razão. Aceita que dói menos. Chora mais, petralha!

E são estes os “argumentos” bolsonaristas diante dos fatos, que diariamente expõem toda a sordidez, o obscurantismo e a canalhice deste desgoverno.

Tanto faz se eu não sou petista ou esquerdista, se o Lula não é presidente desde 2010, se está condenado e inelegível enquanto Bolsonaro e seus filhos delinquentes fogem da Justiça e se escondem sob o foro privilegiado.

O que importa aos bolsonaristas é destilar seu ódio ao PT - talvez sem perceber que são fanáticos e lunáticos iguais ou piores, reproduzindo na mão inversa tudo aquilo que criticam na ideologia alheia.

Acordem para a vida, meus caros. Larguem seus bandidos de estimação. Libertem-se dessa lavagem cerebral (se é que algum dia tiveram um!), superem essa polarização burra e entendam que o FDP agora é outro!

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Não é só mais uma eleiçãozinha


Com a divulgação das primeiras pesquisas Ibope e Datafolha, além da permissão de divulgação dos números e pedidos de votos pelos candidatos a prefeito e a vereador a partir deste domingo, está iniciada oficialmente a campanha eleitoral de 2020.

Na onda do negacionismo e do obscurantismo que vem dominando a política, com o empoderamento de uma escória retrógrada e idiotizada personificada pelos bolsonaristas, é importante reafirmar, assim como fizemos com o coronavírus: “Não era só uma gripezinha”.

Atenção para o aviso de agora: Não é só mais uma eleiçãozinha. O Brasil vai eleger prefeitos e vereadores ainda no contexto dessa pandemia, com uma crise econômica e social sem precedentes combinada à descrença generalizada nos políticos e um sistema partidário e ideológico caótico.

A civilidade precisa reagir à barbárie. O clima de polarização burra e estreita predomina na maior parte do Brasil, mas veja que o PT - inimigo nº 1 dos bolsonaristas - não tem candidatos favoritos em nenhuma das capitais brasileiras, enquanto o bolsonarismo avança.

Então, você que fez valer o antipetismo nas últimas eleições - e teve seus motivos para tanto - deve abrir os olhos e perceber que o inimigo da democracia e do estado de direito agora é outro. Precisa desenhar para você entender?

Tão ou mais prejudicial para o país, é o “PT da direita”. Se você abominava todo o fanatismo petista, os esquemas de corrupção, a partidarização do Estado, o favorecimento ilegal de aliados e a proteção da esquerda a seus bandidos de estimação, não pode aceitar tudo isso na mão inversa.

Extremismos de esquerda e de direita se aproximam naquilo que ambos tem de pior. Líderes populistas, autoritários, ditadores, golpistas devem ser rechaçados, carreguem a bandeira partidária ou ideológica que quiserem.

Fascistas, nazistas, comunistas, nacionalistas, conservadores, fanáticos e lunáticos que tentam se impor pela força e pela violência contra seus opositores merecem o nosso repúdio, estejam do lado que estiverem, petistas ou bolsonaristas.

Ditadura de esquerda ou de direita é ditadura, e precisa ser igualmente combatida. Não existe conversa nem meio termo para repudiarmos quem defende o fechamento do Congresso ou do Supremo, censura, tortura, intervenção militar. Basta!

Então, meu amigo, não adianta posar de eleitor ou cidadão patriota e consciente se continuar votando nesse lixo que se apoderou da política. Fala mal da esquerdalha, dos petralhas, mas não passa de um bolsotário, cretino e manipulado por fake news?

Perceba que todo o sistema que orbitava em torno do petismo, ou antes com os tucanos, ou depois com Temer, segue no poder com Bolsonaro. Os políticos fisiológicos, corruptos, ladrões dos cofres públicos, os inimigos da Lava Jato, continuam todos juntos no poder.

Reaja! Informe-se! Vote melhor!

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Siga o dinheiro: a 2ª parte da lição


Dando sequência à lição iniciada no post de ontem do “Siga o Dinheiro”, a aula de hoje da Escolinha do Professor Bolsonaro nos ensina muito sobre o Caixa 2, as rachadinhas (nome bonitinho para outra modalidade de corrupção), o desvio e a lavagem de dinheiro.

Hoje toda a imprensa repercute que a família Bolsonaro se elege e sobrevive às custas de dinheiro vivo. Aliás, muito dinheiro. Milhares, milhões. Deve ser essa paixão por cédulas, por papel-moeda, que motivou o governo a lançar a nota de 200 reais. Presente do papai aos filhinhos.

Por exemplo, isso facilitaria a vida do Queiroz. Nos depósitos picadinhos para a Michelle Bolsonaro, e sabe-se lá de onde veio todo esse dinheiro, bastariam 445 notas para totalizar os R$ 89 mil que Bolsonaro ainda não explicou como foram parar na conta da primeira-dama.

Mas, enfim, Jair Bolsonaro e seus filhos injetaram ao menos R$ 100 mil em cédulas nas campanhas de 2008 a 2014; fora isso, a família movimentou comprovadamente mais de R$ 3 milhões em espécie, segundo dados oficiais.

Esse dinheiro vivo entrou nas campanhas da família através de sucessivas doações eleitorais. No total, esses R$ 100 mil - sem correção da inflação - eram depósitos em espécie feitos por um membro da família em favor de outro. Coerente para quem defende as famílias de bem, mas principalmente os bens da própria família.

Afinal, que homem de bem não usa centenas de milhares de reais em dinheiro vivo para fazer campanhas eleitorais, para comprar dezenas de imóveis ou mesmo para os gastos pessoais cotidianos, como pagar a escola dos filhos, o plano de saúde ou ter um amigo que deposita dinheiro na conta da sua esposa, não é mesmo?

Transações em espécie não configuram crime, mas podem ter como objetivo dificultar o rastreamento da origem de valores obtidos ilegalmente. Foi esse tipo de movimentação financeira suspeita que possibilitou à Lava Jato (por meio do Coaf, órgão extinto por Bolsonaro) prender muito corrupto graúdo.

Os depósitos em dinheiro vivo para o financiamento das campanhas foram identificados pelos jornalistas da Folha nos processos físicos das prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral. Claro, então isso deve ser coisa de jornalista comunista, portanto descartado como prova pelo gado bolsonarista.

O fato é que a reportagem analisou recursos recebidos para a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus filhos Flavio (Republicanos-RJ), Carlos (Republicanos-RJ) e Eduardo (PSL-SP). O elevado uso de cédulas, depósitos em papel-moeda nas campanhas, destoa da prática de outras candidaturas bem-sucedidas no mesmo período.

Já o dinheiro vivo no dia-a-dia da família foi comprovado por investigações em curso (todas bloqueadas, obviamente, por conta da mão amiga dos juízes, do Procurador-Geral da República ou do foro privilegiado), mas levaram o Ministério Público do Rio de Janeiro a denunciar ao menos um dos filhos do presidente pelo recebimento criminoso de dinheiro público em benefício pessoal.

Os outros filhos e a primeira-dama são investigados em ações paralelas, por outros motivos e suspeitas, como é o caso dos depósitos do Queiroz, do emprego de funcionários fantasmas, do patrocínio do chamado “gabinete do ódio”, do uso de robôs nas redes sociais, da disseminação de fake news, da relação com as milícias etc. Tutti buona gente.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Siga o dinheiro: 1º passo de qualquer investigação

O bordão "Siga o dinheiro" ficou famoso no caso Watergate, dito por Deep Throat ("Garganta Profunda"), a fonte sigilosa dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein na série de reportagens publicadas no Washington Post, na década de 1970, e que levou à renúncia do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Mas é uma lição que cabe em qualquer escândalo político. Serve para tudo e para todos.

Avançando no tempo (ou retrocedendo, conforme o ponto de vista), o mesmo ensinamento poderia ser usado para esclarecer muitos outros mistérios: de quem mandou matar Marielle a quem mandou matar Bolsonaro? Ou quem financiou a eleição do presidente da República e de seus filhos? Todo o dinheiro usado na campanha foi declarado? E o Queiroz? E o Lula? "Siga o dinheiro".

O uso do Caixa 2, além da contribuição oficial de pessoas físicas diretamente para os candidatos ou indiretamente, por intermédio do fundo partidário e de contribuições repassadas pelas legendas, chegou a ser uma prática usual por muitos anos no Brasil. Estão aí as denúncias e algumas condenações envolvendo PT, PSOL, PSDB, MDB, DEM, PSD, PP, PSL... Ou seja, a ilegalidade não tem ideologia nem preferência partidária.

A campanha presidencial de Bolsonaro também não escapou das denúncias de irregularidades. Da compra ilegal do disparo em massa de mensagens contra adversários no Whatsapp à doação empresarial disfarçada, passando pelo uso de candidatos laranja que serviam apenas para repassar dinheiro a outras campanhas, ou ainda de recursos originados de funcionários fantasmas ou da famosa "rachadinha" dos gabinetes ligados a Bolsonaro, inclusive dos seus filhos, o que não falta são suspeitas e denúncias.

Pouca coisa avança, visto que os envolvidos se escondem atrás do foro privilegiado, brecam as investigações com chicanas jurídicas ou mesmo pelo controle abusivo exercido na PF e na PGR, ou ainda por manipulação política, como a compra do apoio do Centrão com o loteamento de verbas e cargos públicos - tudo aquilo que Bolsonaro prometia combater e, na prática, repete igual ou pior (Tem dúvida? Antes de me acusar de petralha, pergunte ao Sérgio Moro ou à Joice Hasselmann).

Mas, vamos lá! De onde veio o dinheiro para eleger Bolsonaro? De Luciano Hang, o "véio da Havan", que teria sido um dos patrocinadores das mensagens ilegais disparadas contra o PT, ao empresário paranaense Wilson Picler, do grupo Uninter, uma rede de ensino à distância, que já foi deputado pelo PDT e se tornou o maior doador individual do PSL na prestação de contas oficial da campanha, muita coisa é revelada no rastro deixado por esses apoiadores. 

Quem investe milhões do próprio bolso para eleger um político pensando apenas no "bem do país", sem desejar nada em troca? Desses mencionados, Hang e Picler, por que será que eles apoiam e financiam Bolsonaro e os filhos dele, além do partido em gestação dos bolsonaristas, o Aliança Pelo Brasil, e outros movimentos de direita, como a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), apelidada pelos opositores de "Internacional Fascista", e o Moviment, do presidiário Steve Bannon?

Quem mais vemos entre os doadores da família Bolsonaro? Além dos recursos repassados do PSL e do PRTB (partido do vice, general Hamilton Mourão) para pagar serviços de segurança, cessão de sala para comitê, domínio de site, passagens aéreas e hospedagens, o grosso das doações oficiais veio das vaquinhas eletrônicas na internet (nenhuma referência irônica ao gado bolsonarista nem aos robôs, que fique claro). 

Os sócios da rede Coco Bambu e o fundador da Tecnisa foram doadores. Gustavo Bebianno, apoiador de primeira hora e que morreu em março de 2020, após ter rompido com Bolsonaro, também. Teve delegado, promotor de justiça, funcionários públicos e até condenados na Justiça por corrupção, como foi o caso do cidadão Jonei Anderson Lunkes, cumprindo pena de 6 anos, 1 mês e 10 dias, em regime semiaberto, após uma operação que investigou esquema de contratos fraudulentos na Secretaria de Saúde de Natal (então, Roberto Jefferson, tire seu cavalinho da chuva que você não foi o primeiro corrupto condenado a apoiar Bolsonaro, hein?).

Além de Bebianno, outro ex-assessor que já morreu foi um dos maiores doadores das campanhas da família Bolsonaro. O capitão do Exército Jorge Francisco, que trabalhou quase duas décadas como assessor parlamentar de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e faleceu com 69 anos, em 2018, por conta de um infarto, repassou ao todo R$ 81 mil, em quatro eleições entre 2004 e 2016, para as campanhas de Jair e de seus filhos.

Em valores nominais, a maior doação de Jorge Francisco foi em agosto de 2012. Secretário parlamentar do então deputado Jair Bolsonaro, com remuneração mensal de R$ 6,7 mil na Câmara, ele fez uma transferência eletrônica de R$ 15 mil beneficiando o filho do chefe, Carlos, na campanha à reeleição de vereador. Ou seja, sua doação equivalia a mais de dois meses de salário. Grande benemérito.

Outro assessor-doador foi Telmo Broetto, ex-agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que trabalhou como secretário parlamentar de Jair Bolsonaro entre 2005 e 2018 e posteriormente passou a exercer o mesmo cargo no gabinete de Eduardo Bolsonaro, na Câmara dos Deputados.

Em 2006, Telmo doou à campanha de Flávio Bolsonaro, à Assembleia Legislativa do Rio, R$ 9 mil – o equivalente a mais de R$ 17 mil em valores atualizados. Em 2014, doou R$ 11 mil à campanha de Eduardo Bolsonaro. À época, recebia R$ 10 mil de salário na Câmara dos Deputados.

Na terceira posição entre os assessores que mais fizeram doações de campanha para a família Bolsonaro está Valdenice de Oliveira Meliga, irmã de dois milicianos presos em 2018, Alan e Alex Rodrigues Oliveira. De maio de 2018 até fevereiro de 2020, ela ocupava um cargo de confiança no gabinente da liderança do PSL na ALERJ, sob comando de Flávio Bolsonaro. 

Valdenice prestou serviços à candidatura do chefe ao Senado em 2018, numa doação de valor estimado em R$ 5 mil. Funcionária de confiança, ela também assinava cheques de campanha em nome do hoje senador, investigado no escândalo das rachadinhas e suspeito na relação com as milícias.

Para concluir a primeira lição do "siga o dinheiro", entre tantos caminhos e atalhos mal explicados, fica só uma pergunta ao presidente Bolsonaro (que, assim como no aliado Roberto Jefferson, parece lhe despertar os "instintos mais primitivos", a ponto de querer "encher de porrada" a boca dos jornalistas): Por que, afinal, o Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da Michelle?

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Nada como uma polícia amiga e uma justiça que come na mão para proteger Bolsonaro, a familícia e aliados corruptos


Quem votou em Jair Bolsonaro gosta de afirmar por aí que estamos há um ano e nove meses sem corrupção, destacando como supostas qualidades deste governo a honestidade, a coragem e a transparência.

Mas aí vem a realidade dos fatos atropelada pela hashtag #BolsonaroFujão para restabelecer a verdade e recolocar a escória bolsonarista no seu devido lugar. Covardes, bandidos, fujões, cúmplices, corruptos.

O presidente e seus filhos delinquentes vivem fugindo da justiça, da polícia e da imprensa, escondidos sob o foro privilegiado e em ações que envolvem não apenas seus advogados de defesa, mas juízes de primeira instância, ministros dóceis do STJ, TSE e STF, além da ingerência ilegal na PF e na PGR.

Neste exato momento, Jair Bolsonaro está fugindo do depoimento presencial sobre a interferência criminosa na Polícia Federal para defender seus filhos e aliados, bem como conseguiu a suspensão do inquérito pela mão amiga do ministro Marco Aurélio Mello (aquele que é primo de Fernando Collor de Mello), a pedido da Advocacia Geral da União.

Ainda no STF, sob a presidência recém-encerrada do ministro Dias Toffoli (aquele que foi advogado do PT), Bolsonaro viveu uma “lua de mel”. Nenhuma ação contra o presidente foi pautada, enquanto houve um claro esvaziamento da Lava Jato, foram derrubadas decisões de Sérgio Moro e até mesmo a prisão em segunda instância foi proibida.

Aonde estão as investigações sobre o depósito do Queiroz na conta da primeira-dama? E as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro? Tudo bloqueado pela turma mais dócil do Supremo aos corruptos. Medidas protelatórias e o foro privilegiado que Bolsonaro prometia combater é o que protege ele próprio e seus filhos da punição.

No STJ, a família Bolsonaro também nada de braçada - e, perdoe o trocadilho involuntário, nada avança contra a familícia. É investigação de rachadinha paralisada, é censura contra matéria da Globo sobre corrupção concedida a pedido do filho, é habeas corpus para soltar o Queiroz. Se Bolsonaro manda, quem tem juiz obedece.

Polícia domesticada, procurador-geral fiel ao dono, justiça parceira em todas as instâncias funcionando como um grande parque de diversões do governo e da família Bolsonaro, que tem seu passaporte da alegria liberado para festejar com os amigos a impunidade.

Não me diga que só você não percebeu que Bolsonaro trocou a amizade de Sérgio Moro, o juiz caçador de corruptos, por Roberto Jefferson, o corrupto que foi preso e condenado, lidera a quadrilha do Centrão e está na linha de frente dos inimigos da Lava Jato, que une de Lula e a Bolsonaro com seus bandidos de estimação.

Bem, a diferença é que Lula está condenado e inelegível. Saiu da Presidência em 2010 e hoje vive como um espectro da oposição com suas aparições eventuais em lives de petistas e aliados, quase todos enjeitados e fadados ao fracasso. E onde está Bolsonaro, o fujão?

Fugiu dos debates na campanha presidencial, fugiu dos esclarecimentos sobre laranjas no governo, fugiu das perguntas sobre o Queiroz, fugiu da responsabilidade sobre falas e ações no combate à pandemia, fugiu dos inquéritos do gabinete do ódio e das fake news, foge das próprias promessas - e até da sombra de inimigos reais e imaginários.

E os filhos? Fogem igualmente de tudo isso e mais um pouco: ódio, fake news, rachadinhas, fantasmas. Além de ajudarem os outros a fugir. Votando contra o impeachment do Crivella no Rio, escondendo o Queiroz na casa do advogado, mandando ministro suspeito com passaporte diplomático para os Estados Unidos. Fujões.

Assim é fácil afirmar que o Brasil está há um ano e nove meses sem corrupção no governo. Se não há investigação, já que todos fogem, obviamente não há nenhuma apuração, nem presos ou condenados. Mais fiel à realidade seria dizer que o Brasil está há um ano e nove meses sem governo, sem oposição, sem justiça, sem rumo e sem noção. Uma vergonha.

domingo, 20 de setembro de 2020

O dilema de Tostines: todo bolsonarista é idiota ou todo idiota é bolsonarista?


Não, eu não tenho nenhum respeito por quem idolatra Bolsonaro. Se ele próprio não respeita ninguém, por que eu deveria respeitar o meme que virou presidente ou quem acha este boçal o máximo?

Por que eu não posso criticar o presidente demente que chama de FRACO quem fica em casa durante a quarentena na pandemia, que tripudia de quem adoeceu e quem morreu, e que faz questão de dar mau exemplo diário, desrespeitando todos os protocolos de saúde?

Por que eu tenho que respeitar um psicopata que não tem nenhuma empatia pelos cidadãos brasileiros nem compaixão pelas vidas que se perdem, logo ele que diz representar as “famílias de bem” e servir a Deus?

Que homem de bem ou fiel a Deus faz piada do incêndio que está destruindo o Pantanal, incentiva o desmatamento da Amazônia, desqualifica seu próprio povo e não se sensibiliza com o sofrimento, seja de seres humanos ou de animais?

Por que eu devo respeito a quem é incivilizado, quem despreza a ciência, quem cria inimigos reais e imaginários para destilar seu ódio doentio, quem se diz saudoso da ditadura e da tortura, inclusive idolatrando um torturador assassino e afirmando que morreram poucos na mão dele?

Então, aqui o troco é na mesma moeda. Aceita que dói menos. Engole o choro, bolsotário. Sem mimimi. Quem acha Bolsonaro “mito” ou o melhor presidente não vai se ofender com qualquer resposta atravessada ou mal educada, não é mesmo? Bolsonaro tem razão. Fechados com Bolsonaro, sempre! (no presídio ou no hospício)

sábado, 19 de setembro de 2020

Gripezinha... Foguinho... e daí?


Não é possível que ninguém tome uma atitude firme contra esse psicopata que desgoverna o Brasil, que se orgulha da “proteção” ao meio ambiente e que debocha de mais de 30 milhões de pessoas no mundo e quase 5 milhões de brasileiros contaminados.

É de uma canalhice sem precedentes um presidente tripudiar com sarcasmo sobre a vida do seu próprio povo, desestimular os protocolos de saúde contra o contágio da Covid-19 e repetir que ficar em casa durante a pandemia é coisa de FRACO.

Celebrar o Brasil como “o país que mais preserva o meio ambiente”, como no parabéns dado por Bolsonaro ao próprio desgoverno, ou comemorar o enfrentamento oficial à pandemia e o “cuidado com o povo”, que resultou em APENAS 140 mil mortes, deveria ser motivo suficiente para cassação e banimento da vida pública.

Por muito menos derrubaram Collor e Dilma. Que Congresso mais dócil e desacreditado é esse, incapaz de se posicionar contra o pior presidente de todos os tempos (talvez o pior ser humano que já ocupou o cargo), e de defender o nosso estado democrático de direito?

Bolsonaro é um cafajeste, inepto, desumano, desqualificado, desequilibrado, incompetente, irresponsável, desprezível. Um verme, assim como seus seguidores fanáticos e lunáticos. A escória da política e da sociedade. Lixos! Mas nós seguiremos cúmplices e omissos?

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Covas x Russomanno no 2º turno, com França correndo por fora?


A campanha eleitoral nem começou, temos 14 candidaturas lançadas à Prefeitura de São Paulo, mas já é possível apostar que o futuro prefeito sairá do embate entre Bruno Covas, Celso Russomanno e Márcio França. (Será?)

Claro que tudo é uma questão de opinião, baseada em fatos, no faro jornalístico e na experiência de quem acompanha o dia a dia da política paulistana. Mas pode anotar aí e me cobrar na noite de 15 de novembro, quando forem anunciados os resultados das eleições.

Outra aposta polêmica: Guilherme Boulos (PSOL) deve ter mais votos que Jilmar Tatto, com toda a força que o PT sempre mostrou na cidade de São Paulo (não por acaso, inclusive, elegendo três prefeitos: Erundina, Marta e Haddad). Mas nem Boulos, nem Tatto tem a mínima chance de chegar ao 2º turno. Pode cravar.

Não é torcida, é palpite. Torcida mesmo, declarada, sincera, é de não ver o bolsonarismo ocupar a Prefeitura paulistana. Então vamos deixar claro desde já: não sou imparcial, nem isento. Eu sou anti-bolsonarista. Voto em qualquer um que não estiver com Bolsonaro no palanque.

E Celso Russomanno chega justamente com esse trunfo. Juntou o Republicanos, braço partidário da Igreja Universal, com o PTB de Roberto Jefferson, governista desde Collor, passando por FHC e condenado por corrupção nos governos do PT, para representar o bolsonarismo xiita.

Se o eleitor paulistano que votou em Bolsonaro abraçar Russomanno (embora a rejeição inicial pareça forte), ele estará no 2º turno para enfrentar o prefeito Bruno Covas (PSDB), que larga com favoritismo para a reeleição, com uma coligação de dez partidos, recursos de sobra e o maior tempo de TV.

O simples fato de Russomanno ter confirmado a candidatura - ele que já disputou e perdeu feio em 2012 e 2016, depois de despontar como favorito em todas as pesquisas - mostra que Bolsonaro vai jogar todas as fichas nele.

Em tese, Russomanno tira votos de todos os candidatos. Resta saber quanto ele soma - e qual o seu índice pessoal de rejeição, acrescido do eleitor avesso a Bolsonaro. Mas a entrada dele na disputa queima na largada todos aqueles que sonhavam herdar o voto bolsonarista.

Estão nesse pelotão: Andrea Matarazzo (PSD), Joice Hasselmann (PSL), Arthur do Val “Mamãe Falei” (Patriota), Filipe Sabará (Novo) e Levy Fidelix (PRTB), candidatos a dividir o voto de direita que restar de Russomanno e Covas. E já bateu o desespero, com apelos a Moro, Mourão e até a Maluf (justo pelo Novo!)

Corre por fora a candidatura de Márcio França (PSB), com uma limitada chance de sucesso: se fizer valer o “recall” de quem votou nele para governador em 2018, comendo pelas beiradas tanto o voto anti-Doria (e por extensão anti-Covas), quanto o anti-Bolsonaro e o anti-PT.

Na missão quase impossível de conquistar um eleitorado essencialmente de centro, ou emplacar algo desse anti-tudo (que pode dar em nada), França tem uma coligação de cinco partidos e o segundo maior tempo de TV para garimpar esse acesso sinuoso ao 2º turno.

Então, é isso: Covas, Russomanno, França e Boulos serão os protagonistas, cada qual com um papel bem definido na eleição; Tatto, Joice, Matarazzo, Arthur e Filipe, coadjuvantes; o resto é figurante ou dublê para cenas de risco, com pouco espaço para revelações e os canastrões de sempre.

Façam também as suas apostas...



quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Bolsonaro libera R$ 3,8 milhões para combater fogo no Pantanal: valor equivale a quatro meses de seus gastos pessoais no Palácio do Planalto


Você entendeu o tamanho do absurdo? A ajuda emergencial disponibilizada pelo presidente Bolsonaro para combater o maior incêndio da história no Pantanal equivale ao que foi gasto por ele em apenas quatro meses com o cartão corporativo da Presidência.

Ou seja, o que Bolsonaro torrou de dinheiro público para custear as despesas pessoais dele e da família, entre janeiro e abril deste ano, sem nem ao menos prestar contas dos gastos, é a mesma quantia que ele encaminhou para combater a tragédia no Pantanal que comove o mundo.

Esses R$ 3,8 milhões são um valor irrisório e ineficaz, que representam apenas 7% do orçamento que havia disponível para o combate a queimadas em áreas federais quando Bolsonaro assumiu o governo - e que ele cortou de maneira intempestiva e irresponsável.

Vamos repetir para todo mundo entender: Nesta semana, em meio às imagens desesperadoras do incêndio no Pantanal, o governo federal anunciou a liberação de R$ 3,8 milhões emergenciais para o combate ao fogo e o socorro aos animais. Como se isso fosse grande coisa, mas é mesquinharia.

É o preço de uma casa no Condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde Jair Bolsonaro morava antes de se eleger presidente, ainda possui dois imóveis e tinha entre seus vizinhos até um dos assassinos da vereadora Marielle Franco.

O valor é de uma casa, mas a área devastada pelo fogo no Pantanal já é maior que as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro juntas. Percebeu o drama? O presidente anuncia R$ 3,8 milhões como se fosse uma grande ajuda. Mas não é nada além de engana-trouxa! Passa-moleque!

Valor equivalente a um único imóvel no condomínio de luxo do presidente. Valor idêntico ao que ele usou para se manter confortável por quatro meses no Palácio do Planalto. Enquanto a flora e a fauna de um dos biomas mais significativos do planeta vira cinzas.

Quando Bolsonaro foi eleito, em 2018, o orçamento do governo para a prevenção e o controle de incêndios florestais em áreas federais era de R$ 53,8 milhões. Foi reduzido para R$ 45,5 milhões em 2019, e agora para R$ 38,6 milhões em 2020.

A verba para a contratação de equipes de combate ao fogo e brigadistas caiu de R$ 23,78 milhões em 2019 para R$ 9,99 milhões neste ano - uma redução inexplicável de 58%, de acordo com dados oficiais do Portal da Transparência.

Isso enquanto as queimadas na Amazônia aumentaram mais de 30% em 2020, pelos dados oficiais do próprio governo, e o Pantanal registra o maior número de focos de incêndio e sofre os efeitos da maior tragédia ambiental da nossa história.

E lá vem Bolsonaro com esses R$ 3,8 milhões de auxílio emergencial, festejado pelo governo como a mesada ofertada ao povo miserável durante a pandemia. Querendo mais uma vez faturar politicamente com dinheiro público e a dor alheia.

Se não bastasse ser o mesmo valor de uma casa ou da parcela quadrimestral do cartão corporativo, é uma quantia equivalente também ao total de dinheiro que Flavio Bolsonaro teria lavado na sua franquia da Kopenhagen e em transações imobiliárias suspeitas, segundo denúncias do Ministério Público.

Ou ainda 13% (olha o treze aí, gente!) dos R$ 29,5 milhões que a Revista Época acusa, em matéria desta semana, a família Bolsonaro de ter repassado a pelo menos 39 funcionários fantasmas dos gabinetes parlamentares de Jair e dos filhos Flávio, Carlos e Eduardo.

Para finalizar as comparações, o dinheiro disponibilizado para a emergência no Pantanal é menor que o total arrecadado pelo então candidato Bolsonaro em 2018. Segundo o extrato final da prestação de contas, o presidente arrecadou R$ 4,3 milhões para vencer as eleições.

Em resumo, para Bolsonaro, a campanha eleitoral dele, ou a casa, ou o cartão corporativo, todos e cada um destes tem mais valor que apagar o incêndio e salvar vidas no Pantanal. Talvez isso explique muita coisa...

BolsonAgro: Vale tudo por dinheiro?

Às vezes é bom dizer umas verdades, ainda que (ou principalmente quando) isso possa provocar a ira dos poderosos e gerar uma reação orquestrada de quem tem atingida a parte mais sensível do corpo desse tipo de gente: o bolso.

Não por acaso, é o bolso dos apoiadores de Bolsonaro que em geral mais sofre quando o mundo se manifesta contra o obscurantismo, o negacionismo, o fundamentalismo cretino e as fake news; ou protesta contra os incêndios criminosos que devastam o Pantanal e a Amazônia.

Por que? Ora, porque faturar com o desprezo pela vida e o desrespeito às leis sob a cumplicidade do governo, com um presidente inepto e irresponsável, e um ministério repleto de parceiros do crime organizado contra a sustentabilidade e o meio ambiente, a ciência, a saúde, a educação, a cultura e o estado democrático de direito é muito mais fácil e conveniente.

Tem gente boa? Claro que tem. Mas como concordar com o entusiasmo fake que vemos nas campanhas caça-níqueis do agronegócio brasileiro, num mercado global onde o vale-tudo por dinheiro é cada vez mais repudiado, se conhecemos a verdade por trás do marketing, da publicidade e principalmente da política?

Desmatamento, fraudes, fogo criminoso, invasão de áreas de preservação, trabalho escravo, mortes, crueldade com os animais, overdose de agrotóxicos e uma “boiada” de ilegalidades que passa despercebida, como já propôs o próprio ministro do extermínio do meio ambiente.

Essa é a realidade por trás do “BolsonAgro”. Tech? Pop? Tudo às custas de quanto sofrimento e de quantas mortes? Que modernidade é essa que coloca o enriquecimento de meia dúzia acima da vida de milhões de seres humanos, da flora e da fauna?

Nesta semana já vimos o “cancelamento” do escritor Paulo Coelho pela milícia bolsonarista, ao postar no twitter e depois apagar um protesto que segue a tendência mundial: "Boicote as exportações brasileiras ou o taleban cristão controlará o país."

Um repúdio difuso ao poder bilionário das chamadas bancadas BBB: do boi, da bala e da bíblia. Essa excrescência antidemocrática que já domina a política brasileira e tem o ápice do seu empoderamento no (des)governo Bolsonaro. Um horror!

E o que faz Bolsonaro? Corta recursos do meio ambiente. Faz piada dos incêndios. Lava as mãos. Fecha os olhos. Ataca ONGs, ambientalistas, artistas, opositores, jornalistas. Isenta e anistia apoiadores criminosos. Compra o apoio de políticos retrógrados e corruptos. Vende um Brasil surreal.