quinta-feira, 2 de abril de 2020

Uma imagem que nos dá a dimensão da pandemia



A imagem de centenas de covas abertas no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, à espera de mortos pelo coronavírus, é muito forte e significativa.

Muita gente não deu muita importância para essa “gripezinha”, achando que jovens são imunes, que só idosos ou pessoas fragilizadas por outras doenças corriam algum risco.

O choque de realidade vem fazendo as pessoas mudarem de opinião. Que não seja tarde demais... 🙏🏻

quarta-feira, 1 de abril de 2020

1° de abril: dia nacional do bolsonarismo

Eu preciso reconhecer que tenho sido injusto com o presidente Bolsonaro.

Ele demonstra que é o líder que o Brasil precisa! Digno, preparado, responsável, ponderado, competente, um verdadeiro estadista.

Prometo nunca mais fazer oposição a este grande democrata, muito menos à forma republicana com que ele dirige o País.

Um grande dia este 1° de abril!

Falando nisso, um resumo do pronunciamento do presidente neste 31 de março:: ele obedece a OMS. Fake news.

Mandou todo mundo voltar ao trabalho, pegar coronavírus e contar com a força divina.

Vai aumentar o número de UTIs com respiradores e mandou o exército produzir milhões de comprimidos de cloroquina.

Mesmo assim, perderemos vidas. Muitas vidas. Faz parte. Ele mesmo já perdeu entes queridos no passado.

Conclusão: é um grande fdp, canalha, mentiroso, irresponsável.

terça-feira, 31 de março de 2020

Bolsonaro: o maior obstáculo do próprio governo

Bolsonaro é inepto, irresponsável e desqualificado. Não tem preparo nem sanidade para presidir o Brasil. É um opositor dentro do próprio governo. Quem não é fanático ou lunático vê, sabe e reconhece.

Uma hipótese cada vez mais plausível é termos um pacto democrático para o vice Mourão assumir, com o apoio de partidos e instituições republicanas, promover as reformas necessárias e garantir a governabilidade até 2022 com ministros como Moro, Guedes e Mandetta.

Você apoiaria este pacto nacional, após um afastamento constitucional do presidente, com a participação dos atuis ministros, das Forças Armadas, do Congresso Nacional, da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal?

segunda-feira, 30 de março de 2020

Vem aí a implosão do bolsonarismo

Uma coisa é certa: o bolsonarismo vai implodir. Resta saber como será o desfecho desse triste capítulo da história da democracia no Brasil.

O governo Bolsonaro migra rapidamente do patamar da galhofa para o da inconstitucionalidade.

Entre os seus próprios apoiadores e simpatizantes, Bolsonaro vai gradativamente trocando a aura folclórica por contornos de irresponsabilidade e insanidade, com ações flagrantes de crimes comuns, como os sucessivos atentados à saúde pública.

O que muita gente enxergava como o núcleo que dá alguma credibilidade ao governo - como a trinca de ministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e Luiz Henrique Mandetta - vem sendo frequentemente desautorizado pelas ações desvairadas e intempestivas do presidente, ou mesmo sofrendo ataques orquestrados pela ala mais ideológica e lunática do bolsonarismo. Eles resistirão quanto tempo a isso?

O vice-presidente e setores militares também dão demonstrações diárias do desconforto com a inépcia e a inaptidão de Bolsonaro para o cargo mais importante da República. O desprezo pela ética e pela liturgia da Presidência, bem como os ataques destrambelhados às instituições e a alienação patológica sobre o gravíssimo momento histórico que o mundo enfrenta com o coronavírus, são outros fatores que reforçam o isolamento do meme que virou presidente.

Talvez a implosão do bolsonarismo seja mesmo a solução. Entre alternativas possíveis, como a condenação por crimes comuns e de responsabilidade, o impeachment, a interdição, a renúncia ou o suicídio (no caso de cogitar, a exemplo de Getúlio, sair da vida para entrar na História), a união de todos os setores democráticos da sociedade (inclusive dentro do próprio governo) para resgatar o Brasil das mãos desses sequestradores tresloucados e milicianos inconsequentes pode ser de fato o caminho mais rápido, indolor e eficiente.

Que o Brasil e o mundo encontrem logo a cura para as suas doenças. Para os males da política, o estado democrático de direito nos oferece a receita constitucional. Por mais amargo que seja o remédio, e ainda que tenha sido aplicado tantas vezes em tão pouco tempo, ele se faz novamente necessário.

A exemplo de Collor e Dilma, Bolsonaro não tem mais condições de presidir o Brasil. É um zumbi em Brasília. O governo acabou. Que ao menos honre, no seu epitáfio, o slogan: "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos". A vida dos brasileiros não pode ficar submissa aos caprichos e delírios bolsonaristas. Presidente, mito, capitão, pra cima de nós, não!

sábado, 28 de março de 2020

Bolsonaro é o maior!!!

Bolsonaro é o maior!

Diante de tudo que vivemos nesses dias, podemos afirmar sem medo de errar...

Bolsonaro é o maior!

O mais irresponsável.

Mais inepto.

Mais desequilibrado.

Mais desqualificado.

Mais incompetente.

Mais sem noção.

Mais mentiroso.

Mais cafajeste.

O maior fdp que o Brasil poderia eleger.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Sugestões ao presidente por um bolsonarista raiz #B38

Como cidadão de bem, pai de família, temente a Deus, eleitor do presidente Jair Bolsonaro, seguidor de Olavo de Carvalho e preocupado com a conspiração global dos comunistas contra o nosso amado Brasil, venho oferecer 38 sugestões (para reforçar o nosso #B38) como plano de emergência para impedir a histeria com o coronavírus e a paralisação da nossa economia.

1. Precisamos voltar imediatamente à normalidade, acabando com qualquer quarentena ou isolamento que beneficia apenas os opositores do governo.

2. Reabrir o comércio já, fazendo promoções para atrair o consumidor às lojas e mantendo as portas abertas 24 horas por dia, sete dias por semana.

3. Dobrar a carga horária da indústria, do comércio e dos serviços. Acabar com férias, 13º, proteção de velhinhos e outros mimimis da esquerdalha.

4. Incentivar a reaproximação entre as pessoas e as manifestações de afeto. Afinal, somos um País conhecido pelo nosso povo amigo e acolhedor. Abraços e beijos hetero estão liberados.

5. Reaquecer o turismo, que está prejudicado em todo o mundo por decisões equivocadas das nações que caíram no golpe do "vírus chinês". Vamos virar o jogo e fazer do nosso Brasil o maior pólo turístico deste século!

6. Liberar e promover a entrada de turistas de todos os países, com exceção de Cuba, da China e da Venezuela.

7. Acabar com qualquer fiscalização ou restrição para a entrada de estrangeiros, liberando principalmente dos vetos de órgãos sanitários, ambientais ou criminais, privilegiando aqueles mais ricos e dispostos a investir no Brasil.

8. Manter fechada apenas a nossa fronteira com a Venezuela até que assuma um governo de direita, reconhecido pelos EUA.

9. Trazer de volta os nossos embaixadores de Cuba e da Venezuela, declarando esses países como inimigos da humanidade.

10. Transformar o prédio da Embaixada da Venezuela em colônia de presos comunistas, inimigos e traidores do governo, como João Doria, Ronaldo Caiado, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, Janaína Paschoal e o cantor toxicômano Lobão.

11. Manter o nosso embaixador na China com a missão específica de garantir a exportação dos nossos produtos a esses comunistas filhos da puta bilionários, e trazer para o Brasil os produtos e quinquilharias baratinhas produzidas por lá, mas nada que prejudique a nossa indústria nacional.

12. Neste mesmo sentido de reaquecer a economia após uma breve pausa histérica por causa dessa gripezinha inventada por comunistas malditos, nomear o Conselho Especial do Posto Ipiranga para cuidar do crescimento do PIB brasileiro, integrado pelos seguintes empresários patriotas: Luciano Hang (Havan), Junior Durski (Madero), Alexandre Guerra (Giraffas) e Roberto Justus, que vai coordenar o grupo por ser sósia do Donald Trump.

13. Pular este item por ser um número de más lembranças para o Brasil (Chupa, petralhas!)

14. Criar creches militares, aonde nossas crianças, desde a mais tenra idade, serão formadas dentro das regras da família tradicional brasileira e do fundamentalismo religioso.

15. Transformar todas as nossas escolas públicas e particulares em colégios militares, eliminando todo o corpo docente e discente que apresentar tendências ou influências comunistas.

16. Fechar todas as universidades públicas e transferir os alunos do gênero masculino para o serviço militar obrigatório, no projeto que receberá o nome do nosso herói nacional, Carlos Alberto Brilhante Ustra.

17. Lembrar diariamente que o eleitor que votou 17 deve votar a partir de agora no 38.

18. Mandar as alunas mulheres para a depilação e o cabeleireiro antes da matrícula compulsória em colégios internos com cursos de formação de mães de família, currículo deserquerdizador e diplomação de donas de casa recatadas e do lar.

19. Encaminhar os alunos que eventualmente não se enquadrarem na classificação de gênero masculino ou feminino para os programas de cura gay coordenados pela ministra Damares e de exorcismo compulsório nas igrejas dos nossos amigos Edir Macedo e Silas Malafaia.

20. Permitir que medidas emergenciais de contenção e prevenção de tendências esquerdistas ou homossexuais possam ser identificadas e punidas com rigor pelo ministro Abraham Weintraub.

21. Instituir o método de educação Olavo de Carvalho em todo o ensino público e privado brasileiro.

22. Fechar todas as ONGs, OSCIPs, entidades estudantis, associações comunitárias, grupos e sindicatos de trabalhadores esquerdistas, prendendo imediatamente todos os seus líderes.

23. Banir todos os partidos de esquerda do Brasil, prendendo os seus líderes e isolando seus filiados em centros de trabalhos forçados na exploração de minérios e de riquezas nas extintas terras indígenas e no interior da Amazônia.

24. Fechar todas as bibliotecas públicas e queimar em praça pública os livros de orientação marxista ou gramsciana.

25. Proibir a exibição e queimar originais e cópias de filmes, séries ou novelas que fazem parte da indústria do marxismo cultural no Brasil.

26. Prender artistas, escritores, jornalistas e intelectuais que não assinarem o manifesto de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e ao movimento artístico e cultural de valorização da nova ordem da direita mundial.

27. Fechar a Rede Globo de Televisão.

28. Fechar a Folha de São Paulo.

29. Decretar intervenção em todos os demais veículos da extrema imprensa, menos aqueles controlados pela igreja do Bispo Edir Macedo, mas mantê-los sob observação da ABIN.

30. Transformar o Twitter do Presidente Jair Bolsonaro no Diário Oficial da União.

31. Exibir as lives do Facebook do presidente em rede nacional de rádio e TV, incluindo emissoras abertas e a cabo.

32. Exercer censura sobre a internet, páginas pessoais, whatsapp e redes sociais de todos os brasileiros.

33. Fechar por período indeterminado o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, até que a Nova Constituição dos Estados Unidos do Brasil seja decretada.

34. Criar uma Comissão de Controle dos Três Poderes, submetendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário de cada estado e município brasileiro à supervisão do senador Flávio Bolsonaro, do deputado Eduardo Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro.

35. Estabelecer pena de morte para políticos esquerdistas corruptos, iniciando pelo enforcamento de Luiz Inácio Lula da Silva em evento público na Arena do Corinthians.

36. Dar indulto presidencial humanitário a todos os policiais e políticos de direita presos por falsas acusações de crimes e assassinatos.

37. Nomear, em conjunto com o parceiro Donald Trump, embaixadores da nova ordem da direita mundial em cada um dos quatro cantos da Terra plana, estabelecendo como centro estratégico do grupo a representação diplomática do Brasil em Jerusalém.

38. Se houver resistência ao cumprimento das ordens acima a partir da publicação no Twitter pelo Sr. Presidente, será instituído um "novo AI-5" e as milícias estarão liberadas para agir sem dó.

terça-feira, 24 de março de 2020

Sem meias palavras: #ForaBolsonaro


Bolsonaro passou de todos os limites. É um cafajeste! Irresponsável! Criminoso! Doente!

Contraria todos os especialistas no mundo inteiro! É contra o isolamento das pessoas! Contra a suspensão das aulas! Compara novamente o coronavírus a uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”.

Veja aqui.

#ForaBolsonaro

O dia seguinte: Que mundo teremos? Que mundo queremos?

Na década de 80, muito em função ainda da Guerra Fria, o filme “O Dia Seguinte” (The Day After) retratava de maneira emblemática o drama de toda uma geração: quais seriam, afinal, os efeitos e consequências de um ataque nuclear?

Como retrocedemos no tempo e vivemos em plena época de polarizações e embates ideológicos entre a velha esquerda e a nova direita pelo mundo todo, num contexto agravado pela pandemia do coronavírus e total ausência de lideranças políticas minimamente racionais e competentes, parece que a história se repete, ora como tragédia, ora como farsa.

Como será o dia seguinte após a quarentena e o isolamento pelo Covid-19? Quantas pessoas terão morrido? E como sobreviveremos depois de tantas semanas ou meses de pânico? Como retomar a vida normal? Seremos os mesmos? Estaremos mais solidários ou individualistas? Mais resignados ou revoltados?

Vivemos um período de exceção. Cenário de guerra. Recessão. Como 2020 entrará para a História? O ano “cancelado”? Que efeitos o dia seguinte terá para a política mundial? E no Brasil? O bolsonarismo resistirá? A oposição vai se fortalecer? A civilização vai reagir à barbárie?

Como estarão os índices de desemprego, fome, miséria e desigualdade? Haverá uma onda de violência e aumento da criminalidade? Como incentivar os pequenos e médios empreendedores que, se não fecharam as portas, flertaram com a falência?

Como o brasileiro terá respondido às medidas emergenciais que foram adotadas pelos governos federal, estadual e municipal? Teremos mudanças na saúde, na cultura, na economia, na educação? Qual será o clima eleitoral? Aliás, teremos eleições? 

Quem pagará a conta? Se mexerem no bolso do trabalhador sem mexer nos bancos, nas grandes fortunas, nos políticos, nos fundos partidários, nas igrejas, na elite do funcionalismo público etc. será mais um tiro no pé com efeitos imprevisíveis e devastadores no ânimo do eleitor.

Famílias de baixa renda e trabalhadores informais já estão condenados a passar fome. A classe média terá achatado, perdido seu poder de compra e atingido o limite da paciência, que nunca foi muito elevado. 

Vamos seguir batendo panela ou vamos para as ruas derrubar esse sistema?

Como virar a página e seguir em frente?

segunda-feira, 23 de março de 2020

Afinal, Bolsonaro é um grande presidente ou um lunático, inepto, despreparado e irresponsável?

Para o fã-clube, Jair Bolsonaro é um presidente autêntico, honesto, sincero, corajoso, trabalhador. Para a oposição e observadores conscientes, é um despreparado, desequilibrado, indecoroso, desqualificado, inimigo da democracia, do estado de direito, da cultura, das ciências e da razão.

Ocorre que seus atos e suas falas diárias desestabilizam o próprio governo e geram cada vez mais insegurança, desconfiança e confusão. Mesmo entre os eleitores eventuais de Bolsonaro, excluída a bolha de fanáticos, lunáticos e bajuladores, o apoio vem despencando rapidamente.

A crise começa a pesar no bolso do brasileiro. O paraíso prometido com as reformas se transformou num inferno. A pandemia do coronavírus só agrava a situação. O medo da doença e do desemprego devido à paralisação e ao isolamento ameaçam a economia global e são um risco real à vida de cada cidadão.

Nesta hora em que o mundo carece de um grande líder, o Brasil tem Jair Bolsonaro. Durante a semana, enciumado, ele obrigou Luiz Henrique Mandetta, que vem se destacando como um bom ministro da Saúde neste momento caótico, a declarar publicamente que todas as ações do governo se devem ao "grande timoneiro" que é o presidente.

O próprio Bolsonaro veio a público se comparar ao técnico de um grande time de futebol, a quem devem ser atribuídos os méritos da vitória, acima dos jogadores que se esforçam em campo. Esses são os sinais da competência, sensatez e humildade do herói que seus filhos e seguidores querem fazer circular diariamente nas redes sociais?

Jornalistas - esses seres indignos cuja missão de vida é incomodar o "mito" - e especialistas em direito constitucional já começam a listar as evidências de crimes de responsabilidade cometidos no cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. Até hoje são pelo menos quinze. Há três pedidos de impeachment no Congresso. Outros estão sendo elaborados. Até quando os brasileiros vão suportar?

Para piorar...

A pergunta é: nos quatro meses que o trabalhador brasileiro ficará sem receber salário de acordo com a Medida Provisória publicada por Bolsonaro, o presidente vai continuar recebendo normalmente?

E seus filhos? O senador, o deputado e o vereador? E o repasse partidário será mantido? E o fundo eleitoral? E os salários milionários de ministros, juízes etc.?

Como fazer a população aceitar que só o “zé povim” pague o preço pela crise, pela pandemia e pela incompetência governamental?

sábado, 21 de março de 2020

Mario Sergio Conti: "Bolsonaro é ameaça"

Bolsonaro pode ser golpeado ou desobedecido porque ameaça a saúde pública

A ignorância vaidosa, o gosto pelo sórdido e o exibicionismo bufo lhe impedem mudanças racionais

Ele não tem jeito. A ignorância vaidosa, o gosto pelo sórdido e o exibicionismo bufo estão entranhados de tal modo na personalidade que lhe impedem mudanças racionais. É impermeável ao diálogo franco, a estudar e aprender, porque se orgulha de sua mente miúda e alma perversa.

Bolsonaro não tem princípios. Largou o catolicismo e virou evangélico. Abandonou o nacionalismo corporativista e se tornou sabujo de Trump. Trocou de religião e política como quem troca de sapatos porque é oportunista. Ou melhor, o presidente tem um único princípio.

A saber: quer ficar no Planalto indefinidamente, cada vez com mais poder. Para tanto, dedica-se a jogar uns políticos contra os outros. A provocar cizânia e estupor. A cativar sua freguesia fanática.

Agora, a coisa mudou de figura. Há uma pandemia prestes a matar milhares de pessoas —nossos colegas, amigos, familiares. Ela acerta em cheio um Brasil frágil. A cada dia que passa, o medo aumenta. É preciso se isolar, milhões perderão o emprego, o amanhã será tétrico.

E o que Bolsonaro faz? Faz piada. Foi abraçar seu rebanho. Mentiu na cara dura e tripudiou. Quando nada pior parecia possível, encenou um inacreditável circo com vassalos mascarados. Cínicos, todos eles —Moro, Guedes, Mandetta etc.— recitaram platitudes e adularam o chefete.

Houve quem achasse graça. Frente ao descalabro, o humor pode ser um escape saudável. Mas há que se voltar ao inescapável: a prioridade nacional absoluta é salvar vidas e evitar a desagregação social.

É uma tarefa colossal. Requer inteligência e decisões estratégicas; a transferência de recursos imensos; a humildade de debater e aceitar posições contrárias. Médicos, enfermeiros, administradores hospitalares, funcionários públicos e trabalhadores privados estão na linha de frente.

Mais do que nunca, será preciso uma coordenação geral, alguém com visão de conjunto e que transite entre os assuntos sanitários, sociais e econômicos. Que escute, organize e delegue tarefas. Sem essa pessoa, e seu grupo de auxiliares, todo esforço poderá se perder, será vão.

Essa pessoa não é Bolsonaro. Ele só atrapalha. E atrapalhará ainda mais porque, acuado, vem acelerando bravatas e agressões para todos os lados. Tem ciúme dos subordinados e lhes puxa o tapete. Seus ministros, que se submeteram a vexames sem conta, são baratas tontas.

Era o que faltava. Não bastasse o novo coronavírus, temos um presidente que não é só um empecilho ao enfrentamento de problemas extraordinários. É um flagelo. Suas agressões são um incentivo ao desânimo, à raiva, ao caos.

Por isso, uma conclusão vem se espalhando: Bolsonaro tem que ser tirado do Planalto. Com urgência porque ele é um problema de saúde pública. Isso é fácil de falar e difícil de fazer.

O processo para apeá-lo do governo será um tumulto a mais numa situação tumultuada. Como forçá-lo a ir embora se a pandemia impede o contato social, reuniões, passeatas e atos públicos? Até onde é possível enxergar, há dois caminhos para impedi-lo de piorar a situação.

No primeiro, um setor parrudo da elite inventaria um rito sumário para outro impeachment. Algo como se fez com Dilma Rousseff, só que a pirueta parlamentar seria perpetrada na velocidade da luz. Com gambiarras jurídicas providenciadas pelo Supremo —que não se furta a essas tramoias.

Ou seja, golpe. Com apoio da opinião pública e dos maiorais, incluindo aí generais e pastores, além dos suspeitos de sempre: empresários, intelectuais etc. Com o cuidado que a manobra resultasse em Maia e não em Mourão, cruz credo.

Haveria —como reza a tradição golpista— promessa de eleições logo que desse. Mas a trama poderia ter desfecho violento. O que fazer com o presidente e sua prole bárbara? E se resistissem? Cadeia neles?

A segunda trilha seria a de o Brasil renunciar a Bolsonaro, desobedecê-lo. A gente anônima se organizaria por sua conta e risco: gerentes de hospitais, médicos, enfermeiros, professores; executivos de prefeituras e governos estaduais; profissionais, estudantes e voluntários.

A pandemia seria enfrentada de modo descentralizado. A auto-organização se daria no bojo da crise.

Em todos os níveis e capacidades, Bolsonaro e sua gangue seriam desconsiderados. A revolta se combinaria com a solidariedade, com o empenho em ajudar. Haveria perigo para todos.

O caminho do golpe é debatido nas altas esferas na calada da noite. O de retomar a iniciativa cidadã ocorre no dia a dia, à luz do sol.

Mario Sergio Conti
Jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"