segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Bolsonaro: apesar da rejeição recorde ao presidente neste 1º ano, o bolsonarismo segue firme e forte

A mais recente pesquisa de avaliação sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro mostra um quadro praticamente inalterado de apoio e rejeição: 36% reprovam e 30% aprovam Bolsonaro, segundo o Datafolha (ahhhh, mas o Datafolha... mimimi).

Enfim, quem duvida até que a Terra é redonda não vai acreditar em estatística ou em instituto de pesquisa, não é mesmo? Ainda mais da Folha... Faz sentido.

Mas, dane-se a pesquisa e o instituto, o que vemos nos números é o desenho da realidade da polarização e do antagonismo nas ruas: apenas um terço do eleitorado se declara realmente de oposição, enquanto Bolsonaro tem o apoio ou a neutralidade cúmplice de dois terços dos brasileiros. Este é o quadro a ser analisado.

Resumo da ópera (ou o paradoxo da polarização burra)

1) Apesar da rejeição recorde (a maior entre todos os presidentes no primeiro ano de governo), Bolsonaro mantém seu eleitorado cativo, que seria suficiente para levá-lo ao 2º turno (e novamente à vitória) se a eleição presidencial ocorresse hoje.

2) A oposição, embora numerosa e ruidosa, permanece minoritária, fragmentada, confusa, sem um discurso coerente com a prática nem uma pegada persuasiva.

3) O tal "centro democrático", fragorosamente derrotado em 2018, segue espremido entre os dois pólos, ainda sem nenhuma força para ocupar espaço do bolsonarismo ou do lulismo, conquistando fatias do eleitorado à direita ou à esquerda.

Os números não mentem

Porque, avaliando esses índices da pesquisa, 30% de ótimo e bom reúne a fina flor do bolsonarismo, a bolha de gente iludida, desinformada ou mal formada, mesmo. 

Os 32% de quem considera o governo regular é ainda influência do anti-petismo, com otimistas inveterados (que torcem para tudo dar certo, independente do presidente), os fãs da Lava Jato (que votariam em qualquer um, menos no PT) e os já consagrados "isentões".

Uma parcela ínfima (1%) não sabe ou não respondeu.

E, por fim, os restantes 36% são a oposição declarada ou, na visão bolsonarista, os "comunistas", a esquerdalha e os inimigos do Brasil.

Para desgosto e revolta dos bolsonaristas, estamos nesse time da oposição. Então, obviamente, somos alvo preferencial da milícia de fanáticos, lunáticos e adoradores do "mito" por sermos "do contra".

Podem atacar. Faz parte. Mas ser a favor do boçalnarismo não dá, né?

Estamos do lado da democracia, dos princípios republicanos, do estado de direito. Contra fanáticos de direita ou de esquerda, contra ditaduras, contra a censura, contra corruptos, contra quem admite a tortura.

Acreditamos que, em breve, os oposicionistas e eleitores arrependidos de Bolsonaro serão maioria. A política é cíclica e a contagem regressiva para o fim dessa onda obscurantista já começou. Até lá, vamos levando. 

Vejamos outros números da pesquisa:


Confiança em Bolsonaro

O instituto perguntou aos entrevistados se eles confiam no que o presidente diz.

Confiam: 19%
Confiam às vezes: 37%
Nunca confiam: 43%
Não sabe/não respondeu: 1%


Comportamento

O Datafolha perguntou aos entrevistados se o presidente tem comportamento condizente com o cargo. A maioria considera que não.

Sempre se comporta de forma adequada: 14%
Nunca se comporta de forma adequada: 28%
Se comporta adequadamente na maioria das ocasiões: 28%
Se comporta adequadamente na minoria das ocasiões: 25%


Expectativa

Em relação à expectativa com o futuro do governo, 43% esperam que Bolsonaro faça uma gestão ótima ou boa. Em agosto, eram 45%; em julho, 51%, e em abril, 59%.

Outros 32% acreditam que o presidente fará uma administração ruim ou péssima, contra os mesmos 32% em agosto, 24% em julho, e 23% em abril;


Economia

O Datafolha também pediu aos entrevistados que avaliassem o desempenho do governo na área econômica.

Ruim/péssimo: 44% (43% em agosto)
Regular: 29% (35% em agosto)
Ótimo/bom: 25% (20% em agosto)
Não sabe: 2% (2% em agosto)

Sobre a crise econômica que o país atravessa, 5% responderam que já acabou, 37% acham que vai acabar logo e 55% disseram que vai demorar.

Segundo a pesquisa, 43% dos entrevistados acham a situação econômica do país vai melhorar (eram 40% em agosto); 31% entendem que vai ficar como está (os mesmos 31% de agosto); e 24% responderam que vai piorar (eram 26% em agosto).


Combate ao desemprego

A atuação do governo no combate ao desemprego é considerada ruim ou péssima, de acordo com a pesquisa.

Ruim/péssimo: 59% (65% em agosto)
Regular: 24% (21% em agosto)
Ótimo/bom: 16% (13% em agosto)
Não sabe: 1% (1% em agosto)


Atuação do presidente

O Datafolha verificou, ainda, se os entrevistados acreditam que o presidente age ou não como deveria. Veja os percentuais:

Age como deveria: 14% (eram 15% em agosto, 22% em julho, e 27% em abril)
Na maioria das ocasiões age como deveria: 28% (eram 27% em agosto, 28% em julho, e 27% em abril)
Em algumas ocasiões age como deveria: 25% (eram 23% em agosto, 21% em julho, e 20% em abril)
Em nenhuma ocasião age como deveria: 28% (eram 32% em agosto, 25% em julho e 23% em abril)


Principais problemas do país

Os entrevistados elegeram ainda os principais problemas do país:

Saúde: 32%
Educação: 14%
Segurança: 13%
Desemprego: 13%
Corrupção: 8%
Economia: 8%

O levantamento mostra que, para os entrevistados, a imagem do Brasil no exterior melhorou, segundo 31%, piorou para 39%, e é mesma para 25%.


Combate à corrupção

Metade dos entrevistados pelo Datafolha classificou como ruim ou péssimo o combate à corrupção no governo Bolsonaro, segundo a pesquisa:

Ruim/péssimo: 50% (44% em agosto)
Ótimo/bom: 29% (34% em agosto)
Regular: 19% (20% em agosto)
Não sabe: 2% (2% em agosto)


Meio Ambiente

A pesquisa apurou a avaliação dos entrevistados sobre a atuação do governo em relação ao meio ambiente:

Ruim/péssimo: 43% (49% em agosto)
Regular: 32% (28% em agosto)
Ótimo/bom: 23% (21% em agosto)
Não sabe: 3% (2% em agosto)

Outros presidentes

Os percentuais de reprovação (ruim e péssimo) dos últimos presidentes após o primeiro ano de mandato foram os seguintes:

Fernando Collor (1990): 34%
Fernando Henrique Cardoso (1995): 15%
Luiz Inácio Lula da Silva (2003): 15%
Dilma Rousseff (2011): 6%
Bolsonaro (2019): 36%


Os percentuais de aprovação (ótimo e bom) dos últimos presidentes após o primeiro ano de mandato foram os seguintes:

Fernando Collor (1990): 23%
Fernando Henrique Cardoso (1995): 41%
Luiz Inácio Lula da Silva (2003): 42%
Dilma Rousseff (2011): 59%
Bolsonaro (2019): 30%

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

#Cidadania23 reafirma seu compromisso com os movimentos cívicos, enquanto torce e trabalha pela definição da candidatura de Luciano Huck



Na semana em que apresenta seu “Manifesto em Defesa da Liberdade” (leia abaixo), o #Cidadania23, partido oriundo do PPS com a adesão de lideranças e representantes dos mais diversos movimentos cívicos surgidos nos últimos anos como estímulo à renovação da política e ao fortalecimento da democracia, participa ainda de outros dois atos que reafirmam a abertura da legenda e o compromisso firmado com integrantes do Agora, Livres, Acredito, RAPS e RenovaBR.

Neste sábado, 7 de dezembro, acontecem em São Paulo dois eventos simultâneos com a participação de lideranças do partido e dos movimentos. Das 12h30 às 16h30, no Hotel Luz Plaza (Rua Prates, 145, Bom Retiro), alunos e alunas do curso do RenovaBR para potenciais candidatos em 2020 às prefeituras e câmaras municipais dialogam com diversos partidos. Das 14h às 16h, no Hotel Pergamon (Rua Frei Caneca, 80 - Centro), o Cidadania também promove um bate-papo com integrantes dos movimentos.

É notório o trabalho e a torcida, tanto no partido quanto entre os integrantes desses movimentos, para que o empresário e apresentador de TV Luciano Huck confirme a sua candidatura presidencial. A ideia é que ele abrace e ajude a consolidar esses princípios expressos no “Manifesto em Defesa da Liberdade”. É uma aposta declarada do chamado "campo democrático", avesso aos extremos da política, e uma alternativa de peso para quebrar a polarização entre o bolsonarismo e o lulismo.

O Cidadania comemora ainda o apoio público de Luciano Huck à prisão em segunda instância, assunto bastante polêmico e que vem sendo discutido a partir de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada e defendida pelas bancadas do partido na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Leia mais sobre o Cidadania, os movimentos cívicos e Luciano Huck:

Luciano Huck é a aposta de um novo Brasil

Vai, Luciano Huck! Representa esta nossa geração!

Acredito. Renova Brasil, Agora!

Cinco minutos com Luciano Huck sobre política

Huck encara sucessão de 2022 como ‘maratona’


#Cidadania23: Manifesto em Defesa da Liberdade

O mundo está mudando. A revolução digital e o engajamento de novos atores na dinâmica política atual transformam as relações humanas e o mundo do trabalho. Nesse contexto, surgem novas formas de militância que estão ressignificando a atuação dos partidos e dos movimentos da sociedade civil. E, diante da pluralidade de novas demandas e bandeiras, se faz necessária a reflexão sobre o futuro que queremos para a nossa democracia.

Nós que fazemos o Cidadania entendemos que é necessário ampliar o esforço coletivo em busca do bem comum. Colocamo-nos frontalmente contrários a toda e qualquer medida que vise tolher a atuação dos movimentos cívicos no Brasil. Os partidos que adotam essa postura restritiva, ao nosso ver, não estão entendendo o novo espírito do tempo e servem, nesse caso, a projetos de poder ultrapassados.

Por isso, lançamos este breve manifesto coletivo em defesa da liberdade. O Cidadania recebe esses movimentos de braços abertos, sempre com profundo respeito à autonomia e independência dos movimentos. Da mesma forma, modificamos o nosso próprio estatuto e programa, oferecendo uma importante abertura à participação da sociedade civil. Assim, deixamos claro que estamos preocupados com o fortalecimento da nossa democracia interna, para que a nossa existência permaneça no lugar de vanguarda.

É hora de unir forças para que tenhamos um Brasil mais eficiente e próspero. Um Brasil que esteja em sintonia com a modernidade, para reencontrar o caminho do desenvolvimento político, social e ambiental. Um Brasil que saiba superar os seus problemas históricos com coragem e responsabilidade e que não sirva a projetos personalistas e atrasados. Queremos um País menos aparelhado e burocrático, que possa mudar de vez essa cultura paternalista que ainda define nossa identidade política. Nós sabemos que isso é possível. Porque há muita gente com vontade de fazer diferente, de mãos dadas e apostando em diálogos abertos.

Brasília, 04 de Dezembro de 2019

Roberto Freire
Presidente nacional do Cidadania

Eliziane Gama
Líder do Cidadania no Senado

Daniel Coelho
Líder do Cidadania na Câmara dos Deputados

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

São Paulo: Do voucher na educação ao Dia do Cão

Os vereadores paulistanos aprovaram, com 37 votos favoráveis e 9 contrários, o Programas Mais Creche, que institui o "voucher" (ou vale-dinheiro) na educação infantil paulistana, destinado às famílias com crianças na fila de espera de creches e escolinhas da rede pública e que, portanto, terão seus filhos matriculados em entidades privadas cadastradas e pagas pela Prefeitura.

A Prefeitura se compromete a pagar R$ 727 por criança encaminhada às creches particulares. Hoje são aproximadamente 340 mil crianças matriculadas nos CEIs (Centros de Educação Infantil) da rede pública. Há, porém, um déficit de cerca de 75 mil vagas. Pelo projeto aprovado, poderá ser atendido o equivalente a 10% das vagas abertas, algo próximo a 34 mil vagas.

As demais crianças na fila, que não forem atendidas pelo Programa Mais Creche, poderão entrar em outro novo programa aprovado pelos vereadores nesta quarta-feira, 4 de dezembro, o Bolsa Primeira Infância. Com isso, cada família poderá receber R$ 100 por criança sem creche , desde que atendidos os critérios de vulnerabilidade social.

Plenário Virtual

Na pauta submetida nesta semana ao voto digital dos vereadores, há algumas datas comemorativas inusitadas, intervenções religiosas e uma mistura de doenças a serem lembradas, talvez por inspiração da tendência de associar cada mês a uma cor e doença diferente, como "outubro azul", "novembro rosa" etc.

Assim, estão pautados, por exemplo, o Dia da Conscientização da Síndrome de Edwards, a Semana de Prevenção e Conscientização dos Males Causados pela Endometriose e a Semana de Luta Contra as Hepatites. Há ainda uma Semana da Conscientização de Vagas de Estacionamento para Deficientes.

Na seara evangélica, as propostas são o Dia do Congresso do Fogo de Avivamento para o Brasil e a inclusão, no calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo, do Festival Anual da Música Gospel.

As datas inusitadas são o Dia do Dominó, a Semana Municipal do Tchoukball (pronuncia-se chuquibol), que se autodefine como "um esporte coletivo desenvolvido na década de 1960 a partir dos pensamentos de um médico suiço, o Dr. Hermann Brandt, com o objetivo de ser uma ferramenta para trazer felicidade" e, para finalizar, o Dia do Cão.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

De salvador a exterminador do futuro, o papel do Brasil na preservação ambiental e nas conferências climáticas



Na semana em que começa a COP 25, conferência do clima da ONU em Madri, líderes mundiais enfrentam crescente pressão popular - principalmente das gerações mais jovens, por meio da mobilização nas redes sociais - para agir com maior efetividade e responsabilidade no controle do aquecimento global.

O evento que vai até o dia 13 de dezembro e reúne representantes de quase 200 países adotou o slogan "Hora da Ação" ("Time for Action"). Desde 2015, quando foi assinado um grande acordo climático mundial, o Acordo de Paris, as conferências anuais do clima têm se dedicado a estabelecer como colocar em prática medidas para evitar os impactos mais catastróficos do aquecimento global.

A Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, foi o primeiro grande encontro sobre meio ambiente realizado no mundo. Vinte anos depois, ocorreu no Brasil a Cúpula da Terra, megaevento ambiental também conhecido como Eco-92 ou Rio-92. Há dez anos, em 2009, ocorria em Copenhague, na Dinamarca, outra histórica Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. 

Nos primórdios da discussão ambiental, a pauta basicamente se resumia a tratar da preservação da camada de ozônio, conservar a biodiversidade e introduzir a ideia de um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico. Ou seja, era o surgimento das teses do desenvolvimento sustentável.

Da ecologia à sustentabilidade, o #ProgramaDiferente mostra o que mudou nesse tempo todo (passado quase meio século da primeira conferência na Suécia, três décadas após a Rio-92 e dez anos depois da COP-15, na Dinamarca). Qual a situação das mudanças climáticas no mundo de hoje? Quais os efeitos e danos à saúde? Como interferem na economia global?

De acordo com a ONU, as emissões de gases causadores do efeito estufa continuam subindo – e não caindo, como deveria ser. Eventos climáticos extremos no mundo inteiro, como enchentes e queimadas, estão ligados ao aquecimento global causado pelo ser humano, conforme demonstram estudos científicos realizados em diferentes países.

Por aqui, após uma sequência de escândalos ambientais, como o aumento das queimadas nas florestas e o derramamento de óleo nas praias do Nordeste, o Brasil do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Ricardo Salles regride a passos largos no contexto da governança sustentável e enfrenta a desconfiança mundial. Assista.

Não é possível que alguém com mais de dois neurônios funcionando ainda se orgulhe de ser bolsonarista

Leonardo Di Caprio bota fogo na floresta.

Os Beatles vieram instaurar o comunismo no mundo.

A Terra é plana.

O rock é satanista.

Elvis Presley foi outro agente infiltrado da União Soviética para derrotar os Estados Unidos e o capitalismo ao destruir a moral da juventude e das famílias.

Saudades do AI-5.

Brilhante Ustra é herói.

A Globo é de esquerda.

Até Hitler era de esquerda. 

O Brasil foi governado mais de 30 anos seguidos por comunistas, até o bolsonarismo nos salvar.

Não é possível que um cidadão minimamente civilizado e com mais de dois neurônios, que eventualmente tenha votado em Jair Bolsonaro por um, digamos, justificado sentimento anti-petista, não esteja arrependido.

Será que esses fanáticos descerebrados não tem nenhuma vergonha de se declararem bolsonaristas?

E, outra, como é possível alguém reunir tanto lunático e imbecil num mesmo governo, em tão pouco tempo?

São os mesmos obscurantistas desmiolados e ideologistas da barbárie que atacam Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil.

Os mesmos que dizem que não tem corrupção nesse governo. Só tem amigo miliciano e assassino, Queiroz ladrão sumido, acordo para poupar investigação de depósitos suspeitos nas contas dos filhos e da primeira-dama, candidatos laranjas que desviaram recursos públicos na campanha, ministro denunciado, líder de governo investigado, base parlamentar corrupta etc. etc. etc.

Agora deram de proibir até cartazes de filmes clássicos do cinema brasileiro, como O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

Os mesmos ignorantes que se orgulham de dizer que não se informam pela grande imprensa, mas apenas pelos grupos de whatsapp que reúnem idênticos boçais, todos submetidos à lavagem cerebral no padrão olavista.

Aonde um bolsonarista estiver, ficaremos do lado oposto. Assim, a probabilidade de estarmos do lado certo será sempre extraordinária.

#ForaBolsonaro #VergonhaAlheia #DitaduraNuncaMais

Câmara de São Paulo vota abertura de crédito de até R$ 1,2 bilhão em ano eleitoral e reforma administrativa do prefeito Bruno Covas, candidato à reeleição

Volta à pauta da Câmara Municipal de São Paulo, agora em segunda e definitiva votação, o Programa Mais Creche, que institui o "voucher" (ou vale-dinheiro) na educação infantil paulistana, destinado às famílias com crianças na fila de espera de creches e escolinhas da rede pública e que, portanto, terão seus filhos matriculados em entidades privadas cadastradas e pagas pela Prefeitura.

Entre outros temas polêmicos, que vão do orçamento impositivo ao estabelecimento de novas regras para as eleições dos conselhos tutelares (e vem sendo travado na pauta pela bancada evangélica, sempre interessada no aparelhamento desses conselhos), as maiores novidades vem do Executivo, com operações de crédito de até R$ 1,2 bilhão em ano eleitoral e um "plano de reorganização da administração" para, segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), "expandir e melhor qualificar a prestação de serviços públicos aos munícipes".

E o que seria este projeto, afinal, recém encaminhado à Câmara e já pautado em regime de urgência?

A Prefeitura propõe reduzir de 22 para 14 o número de entidades da chamada "administração indireta", bem como promete cortar cargos efetivos e em comissão, ainda sem muito detalhamento. Por outro lado, afirma que pretende "fortalecer o poder regulatório e de indução da administração municipal" com a criação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo, a SP Regula, e da Agência Paulistana de Desenvolvimento e Investimentos, a SP Investe.

A SP Investe deverá acumular as atuais responsabilidades da Agência São Paulo de Desenvolvimento (ADESAMPA) e da São Paulo Negócios (SP Negócios). A SP Regula, por sua vez, será criada para controlar e fiscalizar as concessões de serviços que hoje funcionam em órgãos diversos, como Limpeza Urbana (AMLURB e LIMPURB), Serviço Funerário e Departamento de Iluminação Urbana (ILUME).

Para se ter uma ideia, pelo novo projeto essa autarquia funcionará com uma diretoria colegiada de cinco membros, incluindo um diretor-presidente, e até 800 novos servidores de carreira, sendo 200 analistas de regulação e 600 técnicos em fiscalização, a serem admitidos por concurso público. 

Estão propostas outras mudanças, como a extinção da Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura, conhecida como Fundação Paulistana, que terá suas funções incorporadas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. Isso atinge, por exemplo, o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes e a Escola Técnica de Saúde Pública Professor Makiguti, que serão transferidos respectivamente às pastas do Trabalho e da Cultura.

Também deve ser extinta a Fundação Theatro Municipal de São Paulo, recentemente envolvida em uma série de suspeitas e escândalos, passando suas atividades diretamente à Secretaria da Cultura. Na área da Saúde, será extinta a Autarquia Hospitalar Municipal (AHM). Outros órgãos considerados obsoletos ou já inativos serão formalmente extintos, como a Fundação Museu da Tecnologia de São Paulo e a Autarquia Municipal de Serviços Auxiliares de Saúde. Será extinta ainda a atuante e importante São Paulo Turismo S/A (SPTuris).

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

"Filho meu não morreria aí". Ufa, que alívio!

Ontem perguntamos que tipo de verme comemora os nove jovens mortos em ação da PM no baile da Favela de Paraisópolis?

Tivemos uma amostra bastante simbólica e significativa nos comentários postados aqui. É de embrulhar o estômago.

Indiferença, ódio, preconceito, intolerância, racismo, hipocrisia, autoritarismo, desumanidade. Vimos um pouco de tudo. Sinal dos tempos. Um horror!

Pois estes são os "bandidos", os "drogados", os "vagabundos" e a "prostituta" que parte dessa nossa sociedade podre e doente celebrou a morte. Nove mortes, pouco entre mais de cinco mil. Quase o "efeito colateral" de uma necessária e reivindicada ação para acabar com o incômodo dos pancadões, essas festas barulhentas que reúnem música ruim, álcool, bebida, sexo, sujeira e seres indesejáveis por "gente de bem".

"Meus filhos nunca estariam ali!". Portanto, como foram os filhos dos outros que morreram pisoteados após a ação desastrada da PM, para alguns não cabe nenhuma empatia. "Eles não deviam estar lá. Se estavam, sabiam do risco que corriam".

Ora, porque famílias de bem obviamente controlam seus adolescentes. Jamais "filho meu" faria uma coisa errada. Nunca que ele estaria de madrugada numa festa estranha com gente esquisita. Tá certo. Tem pai que é cego, mesmo. Ou gosta de se iludir. Faz parte.

Entre os "vagabundos" que tiveram a vida ceifada aos 14, 16, 18, 20 anos, tínhamos estudantes, jovens aprendizes, um ajudante de oficina, um ajudante de tapeçaria, um atendente de telemarketing, outro que vendia produtos de limpeza.

Limpeza. Essa talvez seja a palavra mais apropriada. Ninguém quer ver tanta sujeita na porta de casa. É compreensível.

Os nove jovens gostavam de música, de festas, de jogos eletrônicos. Sonhavam ser médicos, advogados, professores, jogadores de futebol. Acabou.

Foram pisoteados por gente pobre e indesejada como eles mesmos, num espaço público que não pode ser ocupado pela sujeira de uma juventude incômoda e barulhenta. Espaço muitas vezes ocupado de forma irregular, mas que o poder público deve manter sempre limpo, silencioso e seguro, para tranquilidade das famílias de bem. Amém!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Que tipo de verme comemora os nove jovens mortos em ação da PM no baile da Favela de Paraisópolis?

Para quem não sabe, a favela de Paraisópolis fica encravada no bairro do Morumbi, sinônimo da riqueza paulistana, proximidade que gerou esta foto que é uma das mais emblemáticas já vistas da desigualdade dessa metrópole.

Agora, se não bastasse a miséria e a tristeza da notícia dos nove jovens mortos pisoteados em ação da polícia num "pancadão", o famoso Baile da 17, festa que reunia mais de 5 mil pessoas nas ruas da favela, o mais chocante é ter que ler nas redes sociais muita gente (se é que podemos chamar isso de gente) comemorando a tragédia.

Barulho, sujeira, bebidas e o uso de drogas seriam justificativas aceitáveis para as mortes. "Morreu foi pouco", diz um. "Lá ninguém é bonzinho, só tem drogado e prostituta", diz outra.

Tanto faz se os mortos tem 14, 16, 18, 20 anos.

Poderiam ser meus filhos ou seus? Não, nunca!

"É tudo bandido! Se morreram foi porque eles não estavam em casa com a família".

"Em vez do baile funk, porque não frequentam uma igreja?".

Meu Deus! Que tipo de sociedade é essa que construímos?

Por que as mortes de nove pessoas numa favela (a maioria - não por acaso - com sobrenomes Silva ou Santos) não causam a mesma comoção social de outras mortes em bairros mais nobres?

Por que a repressão da polícia ao barulho, ao álcool e às drogas é relativizada numa festa de favelados e seria inadmissível em qualquer megaevento numa arena ou em alguma casa de shows frequentada por gente descolada das classes média ou alta?

Quem, afinal, pode apanhar ou ser morto pela polícia e quem deve ser protegido?

domingo, 1 de dezembro de 2019

O rascunho virtual de um balanço do Brasil e do mundo em 2019 sob o ponto de vista do bolsonarismo raiz

Num ano em que a realidade parece mais inverossímil que a ficção, é muito difícil fazer um balanço minimamente isento ou imparcial deste 2019.

Há, aqui e ali, quem tente racionalizar e traduzir ao que resta da civilização em meio à barbárie os acontecimentos no Brasil e no mundo.

Eu jamais teria esta pretensão. Nem capacidade. Por isso, abandonei de vez essa tentativa insana e vou descrever sob efeito dos filtros virtuais e ideológicos da atualidade o nosso mundo real.

O cinema, por exemplo, linguagem universal, tentou mandar seus recados em 2019 por meio de imagens e roteiros provocativos. Entende quem quer, se quer, como quer e, suprema liberdade, até mesmo o que bem entender.

Uma sequência de filmes bastante emblemáticos - como o brasileiro Bacurau, o norte-americano Coringa, o argentino A Odisséia dos Tontos e o coreano Parasita - parece tentar nos comunicar algo nessa espécie de código imagético com mensagens cifradas. São partes de um todo. Jogos de encaixar.

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Tanto faz. Como disse lá em cima, eu desisti de refletir com imparcialidade sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo real. Entreguei os pontos. Ao menos neste rascunho do balanço sobre 2019, vou me deixar levar pelo pensamento dominante, pela visão pragmática da maioria. Eles venceram. Aos perdedores, resta aceitar esta nova realidade. Quem não estiver contente, que vá pra Cuba ou pra Venezuela. Chupa, isentão!

Arte, Cinema... Blargh! Essa Cultura é toda dominada por comunistas infiltrados! A indústria hollywoodiana é uma máquina da destruição da família! Não é à toa que o Leonardo Di Caprio está financiando o fogo nas nossas florestas! Dinheiro sujo dessas organizações internacionais que inventaram essas histórias de mudanças climáticas. O Trump precisa nos ajudar nessa!

Chegou a hora de denunciar esses criminosos que posam de bons moços e artistas de respeito, daqui e de fora. Fernanda Montenegro, Caetano Veloso, Chico Buarque, Mark Ruffalo, Morgan Freeman... bom, esse não me angana desde que foi o Todo Poderoso (ainda por cima negro, para afrontar a Bíblia e nosso Deus verdadeiro com esse discurso anti-racista!).

Agora quem manda é a direita conservadora, o cidadão de bem, a tradicional família brasileira pelo resgate da moral e dos bons costumes sob influência dos incontestáveis ensinamentos cristãos. Vou resumir tudo isso sob o ponto de vista bolsonarista - embora reconheça que há várias outras ramificações e influências, do olavismo ao fundamentalismo religioso, dos terraplanistas aos armamentistas e nostálgicos da ditadura. Mas o bolsonarismo é, hoje, o Esperanto dessa gente.

Então, vamos lá! Filtro instalado, sem mimimi esquerdista (Fora esquerdalha!), após mais de 30 anos de governos comunistas no Brasil, enfim este primeiro ano do presidente Jair Bolsonaro veio resgatar o Brasil de verdade para o nosso povo. Chega de ditadura gayzista, de imprensa manipulada (Abaixo a Rede Globo! Basta de Folha de S. Paulo!), eis que o whatsapp nos trouxe a verdade dos fatos e a informação livre!

Finalmente alguém teve coragem de dizer tudo aquilo que sempre tivemos vontade de berrar ao mundo e que estava entalado na nossa garganta. Demorou mas chegou a nossa vez! Fora corruptos! Pelo fechamento do Congresso, queremos cadeia para deputados e senadores de esquerda! Pelo fim desse antro de mafiosos que é o Supremo Tribunal Federal, dominado pelo Foro de São Paulo! Impeachment para todos os juízes nomeados por FHC, Lula e Dilma. Não precisamos de tribunais de cartas marcadas!

Pela primeira vez, desde o movimento de 1964 que salvou o Brasil dos guerrilheiros comunistas (obrigado, militares!), podemos nos reunir com liberdade para dizer o que pensamos. Viva o nosso capitão! Bolsonaro é mito! É #B38 até 2026! Ninguém mais vai calar a nossa voz com esse blablablá de justiça e democracia para meia dúzia de privilegiados. A nossa bandeira nunca será vermelha! Volta AI-5! Viva Brilhante Ustra!

Agradecemos primeiro a Deus e em seguida à família Bolsonaro, o pai e os filhos, com seu exército de eleitores e seguidores leais, anjos iluminados. Dudu, Carluxo, Flavinho, Michelle Bolsonaro, Damares Alves, Abraham Weintraub, Ernesto Araujo, Ricardo Salles, Onyx Lorenzoni, Luciano Hang, Edir Macedo, Silas Malafaia, Sergio Moro. Homens de Deus pela nossa liberdade! Soldados da Pátria que nos orgulham!

Pelo direito de andarmos armados (você não pode ver, mas estou fazendo arminha com os dedos da mão esquerda enquanto escrevo esse texto com a direita), contra qualquer ativismo político, social, cultural, ambiental. Contra a ideologia de gênero! Pela escola sem partido! Fora feministas, ambientalistas, abortistas. Pelo fim das ONGs, da grande imprensa e dos partidos de esquerda e de centro! Lula tá preso, babaca! (não está, mas vai ser preso de novo!)

O Brasil precisa de um partido único, de direita legítima, raiz, liberal na economia e conservador nos costumes: nada de 17, mudamos, isso é passado! O PSL tá dominado pelos traidores! O 17 agora é o Lula, 17 anos de cadeia! (kkkkk) O nosso partido é o 38, três-oitão, é Aliança Pelo Brasil! (parei de fazer arminha e fiz agora coraçãozinho com as duas mãos). Ihaaaaaaa!!!!!

Que venha 2020.

Mauricio Huertas é jornalista, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #Suprapartidário, idealizador do #CâmaraMan e apresentador do #ProgramaDiferente.

sábado, 30 de novembro de 2019

Editorial da Folha desnuda o autoritarismo de Jair Bolsonaro, a mais recente fraquejada da democracia

Para desespero dos lunáticos e fanáticos extremistas e nostálgicos da ditadura, o editorial deste sábado do jornal Folha de S. Paulo coloca o dedo na ferida do bolsonarismo e desnuda a excrescência que é o governo de Jair Bolsonaro, o meme que se elegeu presidente.

Nosso apoio integral e irrestrito ao texto, na defesa intransigente da democracia, dos princípios republicanos, do estado de direito e das liberdades individuais e coletivas.

FANTASIA DE IMPERADOR

Bolsonaro é incapaz de compreender a impessoalidade da administração republicana

Jair Bolsonaro não entende nem nunca entenderá os limites que a República impõe ao exercício da Presidência. Trata-se de uma personalidade que combina leviandade e autoritarismo.

Será preciso então que as regras do Estado democrático de Direito lhe sejam impingidas de fora para dentro, como os limites que se dão a uma criança. Porque ele não se contém, terá de ser contido —pelas instituições da República, pelo sistema de freios e contrapesos que, até agora, tem funcionado na jovem democracia brasileira.

O Palácio do Planalto não é uma extensão da casa na Barra da Tijuca que o presidente mantém no Rio de Janeiro. Nem os seus vizinhos na praça dos Três Poderes são os daquele condomínio.

A sua caneta não pode tudo. Ela não impede que seus filhos sejam investigados por deslavada confusão entre o que é público e o que é privado. Não transforma o filho, arauto da ditadura, em embaixador nos Estados Unidos.

Sua caneta não tem o dom de transmitir aos cidadãos os caprichos da sua vontade e de seus desejos primitivos. O império dos sentidos não preside a vida republicana.

Quando a Constituição afirma que a legalidade, a impessoalidade e a moralidade governam a administração pública, não se trata de palavras lançadas ao vento numa “live” de rede social.

A Carta equivale a uma ordem do general à sua tropa. Quem não cumpre deve ser punido. Descumpri-la é, por exemplo, afastar o fiscal que lhe aplicou uma multa. Retaliar a imprensa crítica por meio de medidas provisórias.

Ou consignar em ato de ofício da Presidência a discriminação a um meio de comunicação, como na licitação que tirou a Folha das compras de serviços do governo federal publicada na última quinta (28).

Igualmente, incitar um boicote contra anunciantes deste jornal, como sugeriu Bolsonaro nesta sexta-feira (29), escancara abuso de poder político.

A questão não é pecuniária, mas de princípios. O governo planeja cancelar dezenas de assinaturas de uma publicação com 327.959 delas, segundo os últimos dados auditados. Anunciam na Folha cerca de 5.000 empresas, e o jornal terá terminado o ano de 2019 com quase todos os setores da economia representados em suas plataformas.

Prestes a completar cem anos, este jornal tem de lidar, mais uma vez, com um presidente fantasiado de imperador. Encara a tarefa com um misto de lamento e otimismo.

Lamento pelo amesquinhamento dos valores da República que esse ocupante circunstancial da Presidência patrocina. Otimismo pela convicção de que o futuro do Brasil é maior do que a figura que neste momento o governa.