sábado, 4 de abril de 2020

Hélio Schwartsman: Bolsonaro virou o bobo da corte

A piada em que Bolsonaro se transformou poderá custar vidas

Jair Messias Bolsonaro tornou-se um bobo da corte, com uma diferença importante: bobos da corte costumavam dizer verdades.

Os sinais de que o presidente da República deixou de ser levado a sério são numerosos e inequívocos. Prefeitos e governadores, alguns dos quais eleitos na mesma onda conservadora que impulsionou Bolsonaro, fazem exatamente o contrário do que ele recomenda —e não hesitam em explicitar isso.

Até ministros de Estado, que foram por ele escolhidos e são demissíveis "ad nutum", se articulam para fazer o by-pass do chefe. Além de Mandetta, Moro e Guedes já disseram, ainda que tentando esboçar alguma diplomacia, que apoiam as medidas de isolamento social que Bolsonaro renega. Há notícias de que o núcleo militar tenta enquadrá-lo, mas a persuasão, quando surte efeito, é transitória. Só dura até a próxima declaração ou postagem, quase sempre uma combinação de mentiras com delírios.

É bastante sintomático que empresas de mídia social como Twitter e Instagram tenham decidido censurar manifestações de Bolsonaro, por julgar que se tratam de falsidades que colocam pessoas em risco.

No Congresso o clima não é muito diferente. Parlamentares já desistiram de esperar que Bolsonaro exerça a liderança que caberia ao presidente num momento como este e estão cuidando de elaborar por conta própria medidas para atenuar a crise. Se o Legislativo estivesse operando em condições de normalidade, estaríamos possivelmente iniciando procedimentos de impeachment.

O isolamento de Bolsonaro é internacional. Se, até uma ou duas semanas atrás, ainda havia líderes populistas apostando no negacionismo, como o mexicano Andrés Manuel López Obrador e o próprio Donald Trump, eles vislumbraram o tamanho da encrenca e adotaram uma posição mais responsável. Bolsonaro ficou praticamente sozinho.

Só não dá para rir da piada que Bolsonaro se tornou porque ela poderá custar vidas.

Hélio Schwartsman é jornalista, colunista da Folha de S. Paulo e autor de "Pensando Bem…".

Fernando Gabeira: O vírus da guerra cultural

De certa forma, uma epidemia como esta do coronavírus já estava prevista por estudiosos. O que não estava ainda no nosso radar era o impacto da ignorância humana em aceitá-la para realizar o combate frontal contra ela.

À pequena capa gordurosa do vírus foram acrescidos os fluidos da ideologia, tornando-o ainda mais perigoso e letal. Agora que aconteceu, constatamos que essa reação não era de todo imprevisível. Um movimento moderno de descrédito da ciência, do conhecimento, da imprensa facilmente desaguaria nesta oposição a uma ululante realidade sanitária.

A eleição de Donald Trump e a de Jair Bolsonaro são um marco destes tempos modernos. Ambos viram o surgimento do coronavírus como ameaça a seus governos e passaram aos seguidores a impressão de que todo o debate sobre o tema era manobra de oposição. A emergência do corona transformou-se, então, para eles numa guerra cultural contra os inimigos de sempre.

Ao transfigurar uma realidade sanitária num confronto político, usaram com naturalidade sua arma comum, fake news, para vencer a batalha. Nos Estados Unidos, por exemplo, a extrema direita travou uma luta direta contra a principal autoridade sanitária, Anthony S. Fauci, cobrindo-o de ofensas gratuitas.

Preocupado com sua reeleição, Trump tentou corrigir o rumo. Bolsonaro resistiu mais, de forma desagregadora. Seguidores usaram a mesma tática de fake news para desacreditar as mortes e classificar os mensageiros da realidade como uma torcida pelo vírus.

Os mais intelectualizados entre eles chegaram a afirmar que nos EUA morre mais gente engasgada por ano do que os primeiros milhares de mortos pelo coronavírus. Não se detiveram a analisar por que os norte-americanos não constroem, às pressas, hospitais de campanha para socorrer engasgados, muito menos por que não reduzem o ritmo da economia para evitar o contágio entre engasgados.

Bolsonaro liderou uma espécie de uma farsesca revolta da vacina. Em 1904 a população, que vivia em terríveis condições sanitárias, rebelou-se contra um governo que queria modernizar e higienizar a cidade e um cientista, Osvaldo Cruz, que queria vaciná-la. Agora um presidente se rebelou contra a orientação científica e grã-finos em carros importados desfilam pelas ruas afirmando que o povo precisa voltar a trabalhar.

Esse espetáculo patético drenou um pouco da nossa energia no combate ao coronavírus. Se nos detivermos no urgente debate das medidas sanitárias, há sempre alguém para dizer: por que não combater o Bolsonaro?

Sou dos que pensam que o combate ao vírus é uma prioridade planetária e que os adversários desse combate serão triturados pela História.

No mundo real, precisamos aprender com os países que já passaram por uma fase intensa da epidemia. Em todo lugar ficou evidente a necessidade de equipamentos de proteção individual para médicos e profissionais de saúde. É um ponto decisivo. Cerca de 20% dos nossos médicos estão numa faixa de idade que os põe no grupo de risco. Podem ser úteis na telemedicina, mas não vão ser escalados na linha de frente.

Os vídeos que mostram os profissionais da Coreia do Sul se vestindo para o trabalho revelam como o equipamento é necessariamente redundante para proteger contra o vírus. Os Estados Unidos já começam a ter problemas nesse campo. Eles vão surgir no Brasil, uma vez que o equipamento é disputado no mundo inteiro.

Uma das saídas é canalizar parte da solidariedade social para fortalecer os profissionais de saúde. Se não for possível complementar a deficiência de equipamentos, ao menos garantir uma infraestrutura de repouso. Muitos temem voltar para a casa e pôr a família em risco.

Nos primeiros artigos sobre o tema enfatizei a importância dos 220 milhões de smartphones. O governo vai usar os telefones para monitorar a população. Isso aumenta nossas chances. Existe uma possibilidade, que começa a ser usada também nos EUA, por meio de uma empresa que vende termômetros conectados à internet. Conseguem medir a temperatura de 160 mil pessoas, mas o potencial é muito maior.

Discutimos no início da pandemia sobre o alcance desses métodos. Pensadores como Yuval Harari temem uma avanço na quebra da privacidade, com o controle entrando pela nossa pele. Mas pelo que vi do método que o Brasil usará, a participação será voluntária. Da mesma forma, o controle de temperatura pode ser voluntário.

No fundo, o combate ao coronavírus, além da solidariedade humana, depende basicamente de conhecimento. Todo esse esforço de consultar o povo é indispensável. Seria mais facilmente vitorioso se complementado por testes em massa. Testes para detectar o vírus, testes para detectar anticorpos e potencial imunidade, testes para avaliar o potencial de evolução da doença em cada organismo.

Temos falado muito de ignorância, sobretudo a partir da atuação de Jair Bolsonaro. A frase de Barack Obama é repetida muitas vezes: a ignorância na política ou na vida não é uma virtude. Mais do que nunca, vencer não apenas a ignorância humana, mas também a ignorância específica sobre esse novo coronavírus, é a luta principal desse combate planetário.

Fernando Gabeira é escritor, jornalista e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Uma imagem que nos dá a dimensão da pandemia



A imagem de centenas de covas abertas no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, à espera de mortos pelo coronavírus, é muito forte e significativa.

Muita gente não deu muita importância para essa “gripezinha”, achando que jovens são imunes, que só idosos ou pessoas fragilizadas por outras doenças corriam algum risco.

O choque de realidade vem fazendo as pessoas mudarem de opinião. Que não seja tarde demais... 🙏🏻

quarta-feira, 1 de abril de 2020

1° de abril: dia nacional do bolsonarismo

Eu preciso reconhecer que tenho sido injusto com o presidente Bolsonaro.

Ele demonstra que é o líder que o Brasil precisa! Digno, preparado, responsável, ponderado, competente, um verdadeiro estadista.

Prometo nunca mais fazer oposição a este grande democrata, muito menos à forma republicana com que ele dirige o País.

Um grande dia este 1° de abril!

Falando nisso, um resumo do pronunciamento do presidente neste 31 de março:: ele obedece a OMS. Fake news.

Mandou todo mundo voltar ao trabalho, pegar coronavírus e contar com a força divina.

Vai aumentar o número de UTIs com respiradores e mandou o exército produzir milhões de comprimidos de cloroquina.

Mesmo assim, perderemos vidas. Muitas vidas. Faz parte. Ele mesmo já perdeu entes queridos no passado.

Conclusão: é um grande fdp, canalha, mentiroso, irresponsável.

terça-feira, 31 de março de 2020

Bolsonaro: o maior obstáculo do próprio governo

Bolsonaro é inepto, irresponsável e desqualificado. Não tem preparo nem sanidade para presidir o Brasil. É um opositor dentro do próprio governo. Quem não é fanático ou lunático vê, sabe e reconhece.

Uma hipótese cada vez mais plausível é termos um pacto democrático para o vice Mourão assumir, com o apoio de partidos e instituições republicanas, promover as reformas necessárias e garantir a governabilidade até 2022 com ministros como Moro, Guedes e Mandetta.

Você apoiaria este pacto nacional, após um afastamento constitucional do presidente, com a participação dos atuis ministros, das Forças Armadas, do Congresso Nacional, da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal?

segunda-feira, 30 de março de 2020

Vem aí a implosão do bolsonarismo

Uma coisa é certa: o bolsonarismo vai implodir. Resta saber como será o desfecho desse triste capítulo da história da democracia no Brasil.

O governo Bolsonaro migra rapidamente do patamar da galhofa para o da inconstitucionalidade.

Entre os seus próprios apoiadores e simpatizantes, Bolsonaro vai gradativamente trocando a aura folclórica por contornos de irresponsabilidade e insanidade, com ações flagrantes de crimes comuns, como os sucessivos atentados à saúde pública.

O que muita gente enxergava como o núcleo que dá alguma credibilidade ao governo - como a trinca de ministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e Luiz Henrique Mandetta - vem sendo frequentemente desautorizado pelas ações desvairadas e intempestivas do presidente, ou mesmo sofrendo ataques orquestrados pela ala mais ideológica e lunática do bolsonarismo. Eles resistirão quanto tempo a isso?

O vice-presidente e setores militares também dão demonstrações diárias do desconforto com a inépcia e a inaptidão de Bolsonaro para o cargo mais importante da República. O desprezo pela ética e pela liturgia da Presidência, bem como os ataques destrambelhados às instituições e a alienação patológica sobre o gravíssimo momento histórico que o mundo enfrenta com o coronavírus, são outros fatores que reforçam o isolamento do meme que virou presidente.

Talvez a implosão do bolsonarismo seja mesmo a solução. Entre alternativas possíveis, como a condenação por crimes comuns e de responsabilidade, o impeachment, a interdição, a renúncia ou o suicídio (no caso de cogitar, a exemplo de Getúlio, sair da vida para entrar na História), a união de todos os setores democráticos da sociedade (inclusive dentro do próprio governo) para resgatar o Brasil das mãos desses sequestradores tresloucados e milicianos inconsequentes pode ser de fato o caminho mais rápido, indolor e eficiente.

Que o Brasil e o mundo encontrem logo a cura para as suas doenças. Para os males da política, o estado democrático de direito nos oferece a receita constitucional. Por mais amargo que seja o remédio, e ainda que tenha sido aplicado tantas vezes em tão pouco tempo, ele se faz novamente necessário.

A exemplo de Collor e Dilma, Bolsonaro não tem mais condições de presidir o Brasil. É um zumbi em Brasília. O governo acabou. Que ao menos honre, no seu epitáfio, o slogan: "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos". A vida dos brasileiros não pode ficar submissa aos caprichos e delírios bolsonaristas. Presidente, mito, capitão, pra cima de nós, não!

sábado, 28 de março de 2020

Bolsonaro é o maior!!!

Bolsonaro é o maior!

Diante de tudo que vivemos nesses dias, podemos afirmar sem medo de errar...

Bolsonaro é o maior!

O mais irresponsável.

Mais inepto.

Mais desequilibrado.

Mais desqualificado.

Mais incompetente.

Mais sem noção.

Mais mentiroso.

Mais cafajeste.

O maior fdp que o Brasil poderia eleger.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Sugestões ao presidente por um bolsonarista raiz #B38

Como cidadão de bem, pai de família, temente a Deus, eleitor do presidente Jair Bolsonaro, seguidor de Olavo de Carvalho e preocupado com a conspiração global dos comunistas contra o nosso amado Brasil, venho oferecer 38 sugestões (para reforçar o nosso #B38) como plano de emergência para impedir a histeria com o coronavírus e a paralisação da nossa economia.

1. Precisamos voltar imediatamente à normalidade, acabando com qualquer quarentena ou isolamento que beneficia apenas os opositores do governo.

2. Reabrir o comércio já, fazendo promoções para atrair o consumidor às lojas e mantendo as portas abertas 24 horas por dia, sete dias por semana.

3. Dobrar a carga horária da indústria, do comércio e dos serviços. Acabar com férias, 13º, proteção de velhinhos e outros mimimis da esquerdalha.

4. Incentivar a reaproximação entre as pessoas e as manifestações de afeto. Afinal, somos um País conhecido pelo nosso povo amigo e acolhedor. Abraços e beijos hetero estão liberados.

5. Reaquecer o turismo, que está prejudicado em todo o mundo por decisões equivocadas das nações que caíram no golpe do "vírus chinês". Vamos virar o jogo e fazer do nosso Brasil o maior pólo turístico deste século!

6. Liberar e promover a entrada de turistas de todos os países, com exceção de Cuba, da China e da Venezuela.

7. Acabar com qualquer fiscalização ou restrição para a entrada de estrangeiros, liberando principalmente dos vetos de órgãos sanitários, ambientais ou criminais, privilegiando aqueles mais ricos e dispostos a investir no Brasil.

8. Manter fechada apenas a nossa fronteira com a Venezuela até que assuma um governo de direita, reconhecido pelos EUA.

9. Trazer de volta os nossos embaixadores de Cuba e da Venezuela, declarando esses países como inimigos da humanidade.

10. Transformar o prédio da Embaixada da Venezuela em colônia de presos comunistas, inimigos e traidores do governo, como João Doria, Ronaldo Caiado, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, Janaína Paschoal e o cantor toxicômano Lobão.

11. Manter o nosso embaixador na China com a missão específica de garantir a exportação dos nossos produtos a esses comunistas filhos da puta bilionários, e trazer para o Brasil os produtos e quinquilharias baratinhas produzidas por lá, mas nada que prejudique a nossa indústria nacional.

12. Neste mesmo sentido de reaquecer a economia após uma breve pausa histérica por causa dessa gripezinha inventada por comunistas malditos, nomear o Conselho Especial do Posto Ipiranga para cuidar do crescimento do PIB brasileiro, integrado pelos seguintes empresários patriotas: Luciano Hang (Havan), Junior Durski (Madero), Alexandre Guerra (Giraffas) e Roberto Justus, que vai coordenar o grupo por ser sósia do Donald Trump.

13. Pular este item por ser um número de más lembranças para o Brasil (Chupa, petralhas!)

14. Criar creches militares, aonde nossas crianças, desde a mais tenra idade, serão formadas dentro das regras da família tradicional brasileira e do fundamentalismo religioso.

15. Transformar todas as nossas escolas públicas e particulares em colégios militares, eliminando todo o corpo docente e discente que apresentar tendências ou influências comunistas.

16. Fechar todas as universidades públicas e transferir os alunos do gênero masculino para o serviço militar obrigatório, no projeto que receberá o nome do nosso herói nacional, Carlos Alberto Brilhante Ustra.

17. Lembrar diariamente que o eleitor que votou 17 deve votar a partir de agora no 38.

18. Mandar as alunas mulheres para a depilação e o cabeleireiro antes da matrícula compulsória em colégios internos com cursos de formação de mães de família, currículo deserquerdizador e diplomação de donas de casa recatadas e do lar.

19. Encaminhar os alunos que eventualmente não se enquadrarem na classificação de gênero masculino ou feminino para os programas de cura gay coordenados pela ministra Damares e de exorcismo compulsório nas igrejas dos nossos amigos Edir Macedo e Silas Malafaia.

20. Permitir que medidas emergenciais de contenção e prevenção de tendências esquerdistas ou homossexuais possam ser identificadas e punidas com rigor pelo ministro Abraham Weintraub.

21. Instituir o método de educação Olavo de Carvalho em todo o ensino público e privado brasileiro.

22. Fechar todas as ONGs, OSCIPs, entidades estudantis, associações comunitárias, grupos e sindicatos de trabalhadores esquerdistas, prendendo imediatamente todos os seus líderes.

23. Banir todos os partidos de esquerda do Brasil, prendendo os seus líderes e isolando seus filiados em centros de trabalhos forçados na exploração de minérios e de riquezas nas extintas terras indígenas e no interior da Amazônia.

24. Fechar todas as bibliotecas públicas e queimar em praça pública os livros de orientação marxista ou gramsciana.

25. Proibir a exibição e queimar originais e cópias de filmes, séries ou novelas que fazem parte da indústria do marxismo cultural no Brasil.

26. Prender artistas, escritores, jornalistas e intelectuais que não assinarem o manifesto de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e ao movimento artístico e cultural de valorização da nova ordem da direita mundial.

27. Fechar a Rede Globo de Televisão.

28. Fechar a Folha de São Paulo.

29. Decretar intervenção em todos os demais veículos da extrema imprensa, menos aqueles controlados pela igreja do Bispo Edir Macedo, mas mantê-los sob observação da ABIN.

30. Transformar o Twitter do Presidente Jair Bolsonaro no Diário Oficial da União.

31. Exibir as lives do Facebook do presidente em rede nacional de rádio e TV, incluindo emissoras abertas e a cabo.

32. Exercer censura sobre a internet, páginas pessoais, whatsapp e redes sociais de todos os brasileiros.

33. Fechar por período indeterminado o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, até que a Nova Constituição dos Estados Unidos do Brasil seja decretada.

34. Criar uma Comissão de Controle dos Três Poderes, submetendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário de cada estado e município brasileiro à supervisão do senador Flávio Bolsonaro, do deputado Eduardo Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro.

35. Estabelecer pena de morte para políticos esquerdistas corruptos, iniciando pelo enforcamento de Luiz Inácio Lula da Silva em evento público na Arena do Corinthians.

36. Dar indulto presidencial humanitário a todos os policiais e políticos de direita presos por falsas acusações de crimes e assassinatos.

37. Nomear, em conjunto com o parceiro Donald Trump, embaixadores da nova ordem da direita mundial em cada um dos quatro cantos da Terra plana, estabelecendo como centro estratégico do grupo a representação diplomática do Brasil em Jerusalém.

38. Se houver resistência ao cumprimento das ordens acima a partir da publicação no Twitter pelo Sr. Presidente, será instituído um "novo AI-5" e as milícias estarão liberadas para agir sem dó.

terça-feira, 24 de março de 2020

Sem meias palavras: #ForaBolsonaro


Bolsonaro passou de todos os limites. É um cafajeste! Irresponsável! Criminoso! Doente!

Contraria todos os especialistas no mundo inteiro! É contra o isolamento das pessoas! Contra a suspensão das aulas! Compara novamente o coronavírus a uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”.

Veja aqui.

#ForaBolsonaro

O dia seguinte: Que mundo teremos? Que mundo queremos?

Na década de 80, muito em função ainda da Guerra Fria, o filme “O Dia Seguinte” (The Day After) retratava de maneira emblemática o drama de toda uma geração: quais seriam, afinal, os efeitos e consequências de um ataque nuclear?

Como retrocedemos no tempo e vivemos em plena época de polarizações e embates ideológicos entre a velha esquerda e a nova direita pelo mundo todo, num contexto agravado pela pandemia do coronavírus e total ausência de lideranças políticas minimamente racionais e competentes, parece que a história se repete, ora como tragédia, ora como farsa.

Como será o dia seguinte após a quarentena e o isolamento pelo Covid-19? Quantas pessoas terão morrido? E como sobreviveremos depois de tantas semanas ou meses de pânico? Como retomar a vida normal? Seremos os mesmos? Estaremos mais solidários ou individualistas? Mais resignados ou revoltados?

Vivemos um período de exceção. Cenário de guerra. Recessão. Como 2020 entrará para a História? O ano “cancelado”? Que efeitos o dia seguinte terá para a política mundial? E no Brasil? O bolsonarismo resistirá? A oposição vai se fortalecer? A civilização vai reagir à barbárie?

Como estarão os índices de desemprego, fome, miséria e desigualdade? Haverá uma onda de violência e aumento da criminalidade? Como incentivar os pequenos e médios empreendedores que, se não fecharam as portas, flertaram com a falência?

Como o brasileiro terá respondido às medidas emergenciais que foram adotadas pelos governos federal, estadual e municipal? Teremos mudanças na saúde, na cultura, na economia, na educação? Qual será o clima eleitoral? Aliás, teremos eleições? 

Quem pagará a conta? Se mexerem no bolso do trabalhador sem mexer nos bancos, nas grandes fortunas, nos políticos, nos fundos partidários, nas igrejas, na elite do funcionalismo público etc. será mais um tiro no pé com efeitos imprevisíveis e devastadores no ânimo do eleitor.

Famílias de baixa renda e trabalhadores informais já estão condenados a passar fome. A classe média terá achatado, perdido seu poder de compra e atingido o limite da paciência, que nunca foi muito elevado. 

Vamos seguir batendo panela ou vamos para as ruas derrubar esse sistema?

Como virar a página e seguir em frente?

segunda-feira, 23 de março de 2020

Afinal, Bolsonaro é um grande presidente ou um lunático, inepto, despreparado e irresponsável?

Para o fã-clube, Jair Bolsonaro é um presidente autêntico, honesto, sincero, corajoso, trabalhador. Para a oposição e observadores conscientes, é um despreparado, desequilibrado, indecoroso, desqualificado, inimigo da democracia, do estado de direito, da cultura, das ciências e da razão.

Ocorre que seus atos e suas falas diárias desestabilizam o próprio governo e geram cada vez mais insegurança, desconfiança e confusão. Mesmo entre os eleitores eventuais de Bolsonaro, excluída a bolha de fanáticos, lunáticos e bajuladores, o apoio vem despencando rapidamente.

A crise começa a pesar no bolso do brasileiro. O paraíso prometido com as reformas se transformou num inferno. A pandemia do coronavírus só agrava a situação. O medo da doença e do desemprego devido à paralisação e ao isolamento ameaçam a economia global e são um risco real à vida de cada cidadão.

Nesta hora em que o mundo carece de um grande líder, o Brasil tem Jair Bolsonaro. Durante a semana, enciumado, ele obrigou Luiz Henrique Mandetta, que vem se destacando como um bom ministro da Saúde neste momento caótico, a declarar publicamente que todas as ações do governo se devem ao "grande timoneiro" que é o presidente.

O próprio Bolsonaro veio a público se comparar ao técnico de um grande time de futebol, a quem devem ser atribuídos os méritos da vitória, acima dos jogadores que se esforçam em campo. Esses são os sinais da competência, sensatez e humildade do herói que seus filhos e seguidores querem fazer circular diariamente nas redes sociais?

Jornalistas - esses seres indignos cuja missão de vida é incomodar o "mito" - e especialistas em direito constitucional já começam a listar as evidências de crimes de responsabilidade cometidos no cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. Até hoje são pelo menos quinze. Há três pedidos de impeachment no Congresso. Outros estão sendo elaborados. Até quando os brasileiros vão suportar?

Para piorar...

A pergunta é: nos quatro meses que o trabalhador brasileiro ficará sem receber salário de acordo com a Medida Provisória publicada por Bolsonaro, o presidente vai continuar recebendo normalmente?

E seus filhos? O senador, o deputado e o vereador? E o repasse partidário será mantido? E o fundo eleitoral? E os salários milionários de ministros, juízes etc.?

Como fazer a população aceitar que só o “zé povim” pague o preço pela crise, pela pandemia e pela incompetência governamental?

sábado, 21 de março de 2020

Mario Sergio Conti: "Bolsonaro é ameaça"

Bolsonaro pode ser golpeado ou desobedecido porque ameaça a saúde pública

A ignorância vaidosa, o gosto pelo sórdido e o exibicionismo bufo lhe impedem mudanças racionais

Ele não tem jeito. A ignorância vaidosa, o gosto pelo sórdido e o exibicionismo bufo estão entranhados de tal modo na personalidade que lhe impedem mudanças racionais. É impermeável ao diálogo franco, a estudar e aprender, porque se orgulha de sua mente miúda e alma perversa.

Bolsonaro não tem princípios. Largou o catolicismo e virou evangélico. Abandonou o nacionalismo corporativista e se tornou sabujo de Trump. Trocou de religião e política como quem troca de sapatos porque é oportunista. Ou melhor, o presidente tem um único princípio.

A saber: quer ficar no Planalto indefinidamente, cada vez com mais poder. Para tanto, dedica-se a jogar uns políticos contra os outros. A provocar cizânia e estupor. A cativar sua freguesia fanática.

Agora, a coisa mudou de figura. Há uma pandemia prestes a matar milhares de pessoas —nossos colegas, amigos, familiares. Ela acerta em cheio um Brasil frágil. A cada dia que passa, o medo aumenta. É preciso se isolar, milhões perderão o emprego, o amanhã será tétrico.

E o que Bolsonaro faz? Faz piada. Foi abraçar seu rebanho. Mentiu na cara dura e tripudiou. Quando nada pior parecia possível, encenou um inacreditável circo com vassalos mascarados. Cínicos, todos eles —Moro, Guedes, Mandetta etc.— recitaram platitudes e adularam o chefete.

Houve quem achasse graça. Frente ao descalabro, o humor pode ser um escape saudável. Mas há que se voltar ao inescapável: a prioridade nacional absoluta é salvar vidas e evitar a desagregação social.

É uma tarefa colossal. Requer inteligência e decisões estratégicas; a transferência de recursos imensos; a humildade de debater e aceitar posições contrárias. Médicos, enfermeiros, administradores hospitalares, funcionários públicos e trabalhadores privados estão na linha de frente.

Mais do que nunca, será preciso uma coordenação geral, alguém com visão de conjunto e que transite entre os assuntos sanitários, sociais e econômicos. Que escute, organize e delegue tarefas. Sem essa pessoa, e seu grupo de auxiliares, todo esforço poderá se perder, será vão.

Essa pessoa não é Bolsonaro. Ele só atrapalha. E atrapalhará ainda mais porque, acuado, vem acelerando bravatas e agressões para todos os lados. Tem ciúme dos subordinados e lhes puxa o tapete. Seus ministros, que se submeteram a vexames sem conta, são baratas tontas.

Era o que faltava. Não bastasse o novo coronavírus, temos um presidente que não é só um empecilho ao enfrentamento de problemas extraordinários. É um flagelo. Suas agressões são um incentivo ao desânimo, à raiva, ao caos.

Por isso, uma conclusão vem se espalhando: Bolsonaro tem que ser tirado do Planalto. Com urgência porque ele é um problema de saúde pública. Isso é fácil de falar e difícil de fazer.

O processo para apeá-lo do governo será um tumulto a mais numa situação tumultuada. Como forçá-lo a ir embora se a pandemia impede o contato social, reuniões, passeatas e atos públicos? Até onde é possível enxergar, há dois caminhos para impedi-lo de piorar a situação.

No primeiro, um setor parrudo da elite inventaria um rito sumário para outro impeachment. Algo como se fez com Dilma Rousseff, só que a pirueta parlamentar seria perpetrada na velocidade da luz. Com gambiarras jurídicas providenciadas pelo Supremo —que não se furta a essas tramoias.

Ou seja, golpe. Com apoio da opinião pública e dos maiorais, incluindo aí generais e pastores, além dos suspeitos de sempre: empresários, intelectuais etc. Com o cuidado que a manobra resultasse em Maia e não em Mourão, cruz credo.

Haveria —como reza a tradição golpista— promessa de eleições logo que desse. Mas a trama poderia ter desfecho violento. O que fazer com o presidente e sua prole bárbara? E se resistissem? Cadeia neles?

A segunda trilha seria a de o Brasil renunciar a Bolsonaro, desobedecê-lo. A gente anônima se organizaria por sua conta e risco: gerentes de hospitais, médicos, enfermeiros, professores; executivos de prefeituras e governos estaduais; profissionais, estudantes e voluntários.

A pandemia seria enfrentada de modo descentralizado. A auto-organização se daria no bojo da crise.

Em todos os níveis e capacidades, Bolsonaro e sua gangue seriam desconsiderados. A revolta se combinaria com a solidariedade, com o empenho em ajudar. Haveria perigo para todos.

O caminho do golpe é debatido nas altas esferas na calada da noite. O de retomar a iniciativa cidadã ocorre no dia a dia, à luz do sol.

Mario Sergio Conti
Jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"

quarta-feira, 18 de março de 2020

Bolsonaro, pode esperar, a sua hora vai chegar

A política é cíclica.

Sarney teve apoio da maioria, após a eleição indireta e morte de Tancredo. As pessoas saíam orgulhosas às ruas no Plano Cruzado‬ como “fiscais do Sarney”. Quatro anos depois era odiado pelo povo.

Collor foi eleito, amado e idolatrado como o “Caçador de Marajás”. As pessoas se orgulhavam daquele jovem destemido. Todos foram às ruas de verde e amarelo. Três anos depois, o Brasil vestiu preto e os jovens caras-pintadas conseguiram seu impeachment.

FHC foi eleito e reeleito na onda do Plano Real. Intelectual respeitado, tornou-se um dos presidentes mais populares da História. No final do segundo mandato ninguém aguentava mais o seu governo.

Lula foi eleito e reeleito como a esperança do povo. Teve votação e popularidade inimagináveis. Chamado até de “pai” pelo eleitorado mais pobre. Idolatrado, elegeu ainda para lhe suceder um “poste”, uma completa desconhecida. Acabou preso e condenado como maior corrupto da história.

Dilma foi eleita e reeleita pela popularidade de Lula, com votação recorde. Derrotou de forma humilhante todos os seus adversários. Acabou sofrendo impeachment na metade do segundo mandato. Nem ao Senado de Minas Gerais conseguiu se eleger.

Bolsonaro foi eleito pela maioria circunstancial no clima do antipetismo. Idolatrado, chamado de mito por seus seguidores influentes nas redes sociais, acha que tem poderes absolutos para implantar sua ideologia e seus métodos no governo. No segundo ano já começa a enfrentar a desconfiança e o descontentamento do povo que vive fora da bolha do bolsonarismo.

  

segunda-feira, 16 de março de 2020

Novo mapeamento do vírus do bolsonarismo

Pessoas insanas, perigosamente lunáticas, saíram as ruas neste domingo, ignorando todas as recomendações sensatas do próprio governo, para manifestar um fanatismo patético e patológico por Jair Bolsonaro, o meme que virou presidente.

Mais grave que enfrentar o risco da disseminação do coronavírus é ver seres humanos doentes de ódio, defendendo uma extemporânea intervenção militar, atacando as instituições democráticas e republicanas, sugerindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, entre outros atos totalitários (incluindo ditadura, censura e tortura exaltados em cartazes repugnantes por "um novo AI-5" ou estúpidos como "Ustra vive!").

E o que dizer do inepto e irresponsável presidente Bolsonaro, o mito dos tolos, na frente do Palácio do Planalto interagindo com o povo robotizado (ou lobotomizado), feito gado a caminho do abatedouro? Além de afrontar as medidas preventivas, atentando contra a saúde pública, endossou os ataques às instituições. Vamos calar? Aceitaremos sem reagir?

Não tem como tolerar Bolsonaro e esse vírus letal do bolsonarismo, seja pelo argumento que se tente usar (econômico, político, social, ético, ideológico etc.). Eles são criminosos. Portanto, nossos inimigos. Do contrário, seremos omissos ou cúmplices.

É preciso fazer uma oposição ferrenha e intransigente contra os inimigos do estado democrático de direito. É o que fazemos, com transparência, determinação e objetividade. Simples assim. Gostem ou não os fanáticos, lunáticos e milicianos, que agora estão claramente mapeados. Fazem muito barulho, mas não botam medo em ninguém com ameaças e agressões covardes. Vermes!

domingo, 15 de março de 2020

Os nomes cotados para a Prefeitura de São Paulo

Em 20 dias vai estar definido o cenário dos partidos com seus pré-candidatos para as eleições municipais de outubro.

Isso porque o dia 4 de abril é o prazo final para as filiações de quem vai concorrer às prefeituras e câmaras municipais, inclusive para a migração dos atuais vereadores na janela partidária que se abriu neste mês.

A eleição para a Prefeitura de São Paulo começa a definir seus personagens. Porém, o protagonismo de cada um ainda é avaliado e negociado. O prefeito paulistano Bruno Covas é candidato natural à reeleição, com dois desafios imensos: um rigoroso tratamento de saúde e a aprovação da sua gestão.

O tucano ganhou até bastante visibilidade por conta do enfrentamento de um câncer, mas esse aumento de popularidade não resulta necessariamente em maior apoio popular. Para correr atrás do voto, ele conta hoje com uma coligação de pelo menos seis partidos: PSDB, DEM, PL, PSC, Podemos e Cidadania.

Outros partidos são cogitados, alguns com nomes bem cotados para ocupar a vaga de vice de Covas, como o MDB do recém-filiado José Luiz Datena, o Republicanos de Celso Russomanno e o PSL de Joice Hasselmann. É provável que a escolha do vice empurre outros preteridos para a candidatura própria.

Mas os aliados de primeira hora também estão na briga pela indicação do vice-prefeito. Para o DEM, do vereador Milton Leite e do vice-governador Rodrigo Garcia, seria questão de honra. A maior novidade entretanto vem do Cidadania, que já anunciou a filiação do ex-secretário da Cultura Alê Yousseff (com passagens pelo PT, PPS, PV e Rede) como potencial candidato para compor a chapa com Bruno Covas.

Outro nome que avançou bastante nas negociações partidárias foi o ex-governador Márcio França (PSB), que já recebeu o apoio declarado do PDT do presidenciável Ciro Gomes. Ele negocia ainda com o PV e a Rede Sustentabilidade. A ex-prefeita Marta Suplicy pode ser uma boa vice. Essa frente de centro-esquerda quer se apresentar como uma via equidistante aos pólos tradicionais: PT x PSDB e agora também ao bolsonarismo.

Aliás, a maior indefinição vem justamente das duas forças que polarizaram as mais recentes eleições presidenciais. O PT apresenta uma série de pré-candidatos considerados frágeis, enquanto seu nome mais forte se nega a disputar a terceira eleição consecutiva: Fernando Haddad, eleito prefeito em 2012, derrotado em 2016 para a Prefeitura e em 2018 para a Presidência.

Do lado bolsonarista, como o novo partido anunciado pelo presidente, o Aliança pelo Brasil, não será oficializado para as próximas eleições, há diferentes correntes de pensamento: alguns defendem que o presidente Jair Bolsonaro simplesmente não apoie nenhum candidato a prefeito pelo Brasil, se posicionando apenas no 2º turno contra os candidatos mais à esquerda.

Com ou sem apoio declarado de Bolsonaro, o eleitorado de direita será disputado pelo PSL de Joice Hasselmann, pelo PSD de Andrea Matarazzo, pelo Patriotas de Arthur do Val ("Mamãe Falei") e pelo Novo de Filipe Sabará. O próprio governador João Doria (PSDB), beneficiado pelo voto "BolsoDoria" em 2018, vai tentar reconquistar o eleitor bolsonarista raiz ou o arrependido para votar em Covas ou em algum de seus aliados estratégicos para o 2º turno.

À esquerda, quem promete fazer barulho com viés anti-bolsonarista e anti-tucano é a dobradinha do PSOL: Guilherme Boulos para prefeito e Luiza Erundina, vice. Porém, há outros pré-candidatos disputando prévias internas: Carlos Giannazi e Sâmia Bomfim. Pelo PCdoB foi anunciada a candidatura do deputado e ex-ministro Orlando Silva.

Com a ausência de Haddad, um nome escolhido pelo petismo provavelmente ruim de voto e os efeitos ainda do sentimento anti-esquerdista que vem desde o impeachment de Dilma e a prisão de Lula, pouco resta àquele eleitor convicto que sempre levava o PT ao 2º turno (depois da eleição de Erundina em 1988, chegou ao 2º turno em 1992 e 1996, venceu com Marta Suplicy em 2000, voltou ao 2º em 2004 e 2008, e venceu novamente com Haddad em 2012).

E você, já tem um nome ou partido de preferência para ocupar a Prefeitura de São Paulo a partir de 1º de janeiro de 2021? Vai votar em quem?

sábado, 14 de março de 2020

Dois anos da morte de Marielle e Anderson



Rio de Janeiro, 14 de março de 2018. Há dois anos, a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes eram covardemente assassinados.

Passado todo esse tempo, com idas e vindas nas investigações e uma óbvia manipulação para preservar a identidade dos mandantes e a motivação dos assassinos, o crime permanece sem solução. Uma vergonha para o Brasil.

Quem matou Marielle? Será que algum dia vão apontar e punir os verdadeiros culpados?

Mas se pensavam em calar a voz de Marielle na bala, se deram mal.

Hoje ela é o maior símbolo dessa pauta política da mulher negra, jovem, favelada, feminista, lésbica. As causas que Marielle defendia ganharam muito mais repercussão.

Vale reproduzir o #ProgramaDiferente especial sobre Marielle, presente!. Assista.

Uma banana para a inteligência fora da bolha

Bolsonaro afirma que não tem coronavírus e dá uma banana para a doença (ou para nós). Ok, essa parte eu entendi.

Agora me explica por que alguém que NÃO TEM a doença precisa fazer uma contraprova do exame?

É tipo a mulher que compra o teste de gravidez na farmácia, dá negativo, mas ela faz três vezes só para ter certeza que não está grávida. Oi?

O aluno que tira dez em matemática mas pede uma contraprova, porque nem ele mesmo acredita que gabaritou. "Não pode ser, professor, eu sou muito burro! Deve ter algum erro na sua correção!". :-D

Ou o jovem que passa no exame e consegue a carteira de motorista mas pede uma contraprova só de ladeira e baliza para ter certeza que sabe dirigir e enfim poder dar uma banana para a sociedade.

Por que, afinal, um dos filhotes de Bolsonaro e outros integrantes da sua familícia de lunáticos teriam confirmado que o primeiro exame tinha dado positivo? Mentiram sobre o primeiro ou o segundo? E por que um terceiro?

É a fabricação doméstica de fake news a todo vapor...

Mas essa gente acha que fora da bolha do boçalnarismo todo mundo é idiota igual a eles?

quinta-feira, 12 de março de 2020

Bolsonarismo é mais letal que o Coronavírus

O mundo em crise. Bolsa em queda recorde. Dólar em alta estratosférica. PIBinho vexatório. Pânico pelo Coronavírus. E a tal manifestação pró-Bolsonaro convocada para domingo contra o Congresso e o STF.

Apesar da declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde e do impacto global catastrófico, Bolsonaro culpa a imprensa pela “fantasia” sobre a doença. Ele deve se achar imune ao Coronavírus, afinal lavou as mãos.

O presidente parece viver alheio à realidade, mais preocupado em agradar ao público cativo da sua bolha ideológica, uma claque que o idolatra acima de tudo e que enxerga comunistas imaginários por todos os cantos.

O mito dos tolos não pode seguir fazendo do mandato um picadeiro para as suas cafajestadas e sandices. Instituições e cidadãos democratas, republicanos, constitucionalistas, enfim, o estado de direito brasileiro precisa reagir.

Pessoalmente, ainda que discordemos, não temos nada contra quem votou, com boa-fé, em Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Seja em repúdio aos governos anteriores, como forma de retaliação aos erros do PT, buscando uma opção mais à direita no espectro partidário ou até mesmo por acreditar realmente que ele pudesse representar algo de novo na política. Assim funciona a democracia.

Venceu a maioria, embora muitos de nós, do outro lado, julgasse que se tratava de uma opção equivocada, com um candidato despreparado, inepto e desqualificado. Mas ninguém é obrigado a pensar igual, nem ter acesso às mesmas informações sobre o histórico bolsonarista e todos os fatos desabonadores da sua trajetória política.

Da mesma maneira, não temos nada contra manifestações populares e pacíficas, sejam nas ruas, nas redes ou nas urnas, cobrando atitude, postura e coerência de políticos ou juízes. Ninguém é intocável e as liberdades de expressão e de pensamento são garantias constitucionais.

A população tem todo o direito de reclamar, reivindicar, cobrar, fiscalizar e criticar quem ela bem entender, em qualquer um dos três poderes, do Congresso Nacional ao Supremo Tribunal Federal. Cada servidor público do município, do estado ou do país, e também a imprensa. Tudo isso é legítimo.

Agora, sob outra perspectiva, só pode ser muito desinformada ou mal intencionada a pessoa que votou em Bolsonaro mas não admite nenhuma crítica nem enxerga nenhum problema nas suas ações e declarações. Quem não quer ver como a crise é agravada pela falta de postura e decoro do presidente. Os erros recorrentes de gestão, seja no trato da educação, da cultura, do meio ambiente ou da economia, na relação institucional com o Legislativo e o Judiciário, ou no dia-a-dia bélico e caótico deste governo.

Só não vê quem não quer. Bolsonaro prepara terreno para justificar uma intervenção golpista ao desacreditar as instituições republicanas e alimentar a paranoia de seus seguidores fanáticos e lunáticos contra o estado democrático de direito. Mas a barbárie não pode vencer a civilização.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Vereadores podem proibir e tirar das ruas de São Paulo mais de 100 mil motoristas de Uber

Ainda aberto a debates, duas votações, emendas e substitutivos, o projeto de lei 419/18, que pretende colocar restrições aos aplicativos de transporte, começa a ser discutido nesta quarta-feira, 11 de março, na Câmara Municipal de São Paulo. Serviços como Uber, 99 e Cabify podem ser afetados pela nova legislação.

Basicamente, a intenção do projeto é impor um limite de condutores na capital paulista equivalente ao número da frota de táxis, além de criar outras restrições e imposições que podem aumentar o preço a ser pago pelo usuário do serviço. Hoje são cerca de 40 mil taxistas em São Paulo. Só o Uber tem mais de 150 mil motoristas cadastrados na cidade (e aproximadamente 300 mil na Grande São Paulo). Fora os demais aplicativos.

O assunto é tão polêmico, envolvendo não apenas os interesses conflitantes das duas categorias de motoristas que vão ocupar a frente do prédio da Câmara e dividir as galerias do plenário, mas também parte significativa da opinião pública, que a data dessa votação foi planejada e anunciada com antecedência tendo em vista toda a repercussão e mobilização esperada.

Além da limitação do número de motoristas de aplicativos, a nova lei pretende proibir a criação de pontos físicos (como os pontos de encontro da Uber em aeroportos) e também exigir que o motorista seja o proprietário do veículo (impedindo, por exemplo, o compartilhamento) e o emplacamento seja feito exclusivamente na cidade. Leia mais.

terça-feira, 10 de março de 2020

Vereadores reforçam estratégia de mídia com "Rede Câmara" e cobram da Prefeitura emendas em ano eleitoral; restrição ao Uber será debatida nesta quarta

No colégio de líderes desta terça-feira, dois temas foram predominantes: a apresentação dos números da presença da Câmara Municipal de São Paulo na TV e nas redes sociais, num projeto multiplataforma que se chamará agora "Rede Câmara"; e a presença do secretário da Casa Civil, Orlando Faria, prestando contas sobre a liberação das emendas parlamentares neste ano eleitoral.

Está prevista a liberação de R$ 4 milhões por vereador, sendo R$ 1 milhão por trimestre, para atender as reivindicações de suas bases. Houve reclamação sobre essa liberação trimestral, pois o último repasse seria posterior à eleição de outubro e, portanto, traria menor benefício a todos aqueles que disputam a reeleição. A Prefeitura nega atrelamento ao calendário eleitoral.

Para a sessão extraordinária desta quarta-feira, 11 de março, serão debatidos dois projetos: um do Executivo, em 2ª votação, de reformulação do Conselho da Pessoa com Deficiência; e outro extremamente polêmico, em 1ª votação, do vereador Adilson Amadeu (DEM), autodeclarado defensor dos taxistas e que propõe restrições aos aplicativos de transporte como o Uber. Vamos acompanhar.

Estado democrático de direito precisa reagir a Bolsonaro

O mundo em crise. Bolsa em queda recorde. Dólar em alta estratosférica. Pânico pelo Coronavírus. Manifestação convocada para domingo contra o Congresso e o STF.

E quais as preocupações do presidente nesse contexto? Atacar Drauzio Varella, defender a prisão perpétua e afirmar que apresentará provas de que as eleições presidenciais de 2018 foram fraudadas e ele venceu no 1º turno.

Porra, é isso aí que vocês elegeram para governar o Brasil? Um completo idiota, alheio à realidade, inepto, despreparado, irresponsável, desqualificado, sem noção?

Bolsonaro não pode seguir fazendo do mandato um picadeiro para as suas cafajestadas e sandices. Instituições e cidadãos democratas, republicanos, constitucionalistas, enfim, o estado de direito brasileiro precisa reagir.

Só não vê quem não quer. Bolsonaro prepara terreno para justificar uma intervenção golpista ao desacreditar as instituições republicanas e alimentar a paranóia de seus seguidores fanáticos e lunáticos contra o estado democrático de direito.

segunda-feira, 9 de março de 2020

E se tivesse um diário de ataques à democracia?

Se não bastassem as notícias e os posts diários relatando os absurdos do bolsonarismo raiz, aquele que prega intervenção militar, defende o fechamento do Congresso e do Supremo, passa o dia caçando comunistas imaginários e idolatra ditadores e torturadores, tem gente que resolveu fazer literalmente um Diário de Ataques à Democracia.

Veja aqui. Conteúdo para este diário não falta.

O tensionamento democrático, e consequentemente os riscos e as ameaças ao estado de direito, são visíveis, cotidianos e crescentes.

Como dizem os autores deste levantamento diário, que a sociedade brasileira seja capaz de reverter esse processo obscurantista e de resgatar o direito de se expressar, de existir com liberdade e de levar a vida com integridade e respeito. Amém!

sábado, 7 de março de 2020

Força, mulherada! Que o 8 de março seja todo dia!



Aqui para nós, todos os 366 dias do ano de 2020 são das mulheres e dos homens, com igualdade, com dignidade, com respeito, com justiça, com cidadania, com democracia e com liberdade.

Mas é realmente necessário reforçar a cada 8 de março a força feminina e a história de lutas pelos seus direitos, que hoje nos parecem tão óbvios, mas que absurdamente ainda há quem não os reconheça.

É por isso que saudamos o Dia Internacional da Mulher. Não precisamos falar mais nada. Queremos ouvir, queremos ler, queremos compartilhar o que as mulheres tem a nos dizer e ensinar.

Vamos relembrar alguns especiais do #ProgramaDiferente em homenagem às mulheres, nas nossas cinco temporadas:

#ProgramaDiferente: Mulheres no poder!

Vida Maria, curta-metragem do Dia da Mulher no #ProgramaDiferente

Campanha #EssaSouEu do Dia da Mulher no #ProgramaDiferente

Vocês são Mulheres, clipe do Dia da Mulher no #ProgramaDiferente

quinta-feira, 5 de março de 2020

Circo do Bolsonaro: E o seu PIBinho, ó!

Essa semana foi realmente muito louca neste Brasil sob nova direção do velho bolsonarismo.

Se você achava que a overdose de loucura tinha virado cinzas junto com o fim do Carnaval, descobriu agora que há outros 50 tons de obscurantismo e indecência governista.

O PIB, apesar das promessas de crescimento, da aprovação das reformas e do malabarismo retórico circense de Jair Bolsonaro e do Posto Ipiranga Paulo Guedes, ficou abaixo do patamar de Michel Temer. Uai!?

Para piorar, Bolsonaro colocou o humorista Carioca dentro do Palácio do Planalto, em carro oficial, fantasiado e imitando os trejeitos do presidente, para distribuir bananas aos jornalistas que estavam lá fazendo seu trabalho. A cena é triste e repugnante sob todos os ângulos possíveis.

Tudo isso transmitido pela live do Facebook do presidente, que começou a mostrar o showzinho do humorista antes mesmo da chegada de Bolsonaro e continuou com ambos contracenando. Dois palhaços. Duas paródias de presidente. O amador titular debochando da imprensa e fugindo das perguntas incômodas se apoiando no dublê profissional.

Veja trechos da cena circense e o seguinte diálogo:

Repórter: Presidente Bolsonaro, o senhor falará sobre o PIB?

Bolsonaro: PIB? O que é PIB?

Carioca: O que é PIB? Paulo Guedes, Paulo Guedes...

Repórter: A pergunta é para o presidente, não pro senhor.

Bolsonaro: Posto Ipiranga.

Carioca: Posto Ipiranga.

Bolsonaro: Outra pergunta.

Carioca: Outra pergunta, outra pergunta.


Um espetáculo deprimente, constrangedor, indecoroso. Estes palhaços desqualificados não podem seguir fazendo do Brasil um picadeiro.

Há um ano, Bolsonaro perguntava "O que é golden shower?". Agora, "o que é o PIB?".

Inepto, irresponsável, despreparado, ignorante.

Será que ele sabe o que está fazendo lá, por que foi eleito e qual a sua função?

Vão acabar descobrindo que se substituírem o palhaço original pelo imitador ninguém percebe.

Mas vem cá, falando sério, foi pra isso que vocês votaram 38? (Ops, 17?) E cadê a promessa de corrigir a tabela do Imposto de Renda para deixar isento do pagamento o trabalhador mais necessitado? Cadê a redução do desemprego? Cadê o reaquecimento da economia?

Há um ano, o governo assustava o mercado dizendo que, se a reforma da Previdência não fosse aprovada, o dólar chegaria a R$ 4,20. Só não te contaram que, se ela fosse aprovada, o dólar bateria o recorde de R$ 5 (cinco reais!). Imagine se fosse no tempo da Dilma...

Enfim, a Regina Duarte assumiu a Secretaria da Cultura. Tomou posse batendo continência para o incontinente capitão Bolsonaro e apanhando feio da base do bolsonarismo (leia-se olavistas, terraplanistas, caçadores de comunistas, milicianos e guerrilheiros contra o inimigo imaginário do marxismo cultural).

Aliás, por falar em milícia virtual, chegaram as provas de que a indústria de espancamento digital e fabricação de fake news tem uma unidade bastante ativa dentro do gabinete de uma das fraquejadas do presidente, o depravado federal Eduardo Bolsonaro.

Agora está comprovado. É fato, não é boato. Bem que a Joice Hasselmann tinha denunciado. Dudu Bolsonaro é patrocinador das milícias. Virtuais, reais... Mexeu com eles, tá f*****! Bobeou, dançou. Isso para ficar apenas no Dudu, aquele que tinha expertise de fritador de hambúrguer para virar embaixador dos Estados Unidos. Sem falar do Flavinho e do Carluxo.

Enquanto isso, papai Bolsonaro faz um acordão com deputados e senadores para uma rachadinha do dinheiro público do Orçamento.

E o gado bolsonarista segue mugindo por uma manifestação de apoio no dia 15 de março, acreditando que o presidente, que passou ali no Congresso 30 anos, é diferente dos demais. Ô, dó!

Pois é, não tá fácil ser bolsonarista raiz e seguir justificando as cagadas desse desqualificado.

Respeitável público, as máscaras estão caindo... Até quando será que eles vão conseguir arrastar esse espetáculo antes do desfecho previsível? Xô, palhaços!

segunda-feira, 2 de março de 2020

Conheça as emendas parlamentares executadas pela Prefeitura de São Paulo para atender os 55 vereadores

Você já deve ter ouvido falar sobre as “emendas parlamentares”, mas pouca gente sabe como isso funciona exatamente e quase ninguém acompanha a sua execução.

É praticamente um dinheiro “carimbado”. Isso existe em todas as casas do Legislativo. Lá no Congresso Nacional (aliás, é o assunto da semana), na Assembleia Legislativa do Estado e também na Câmara Municipal de São Paulo.

Aqui na cidade não há ainda o “orçamento impositivo”, mas o prefeito Bruno Covas (PSDB) trabalha com uma cota por vereador. Todos são atendidos, inclusive os parlamentares das bancadas de oposição.

Assim, os 55 vereadores paulistanos destinam nominalmente uma fatia do Orçamento municipal para obras, serviços ou atividades que tenham relevância para cada mandato, para suas áreas de atuação ou redutos eleitorais.

Para facilitar, a Prefeitura de São Paulo torna esse documento público. Vereador por vereador, você pode conhecer as prioridades de cada um e quanto de dinheiro do Orçamento foi liberado para cada uma das emendas.

Aqui você acessa o link oficial para as listas de emendas liberadas nos últimos anos, com especial atenção para os três primeiros anos da atual legislatura, de 2017 a 2019:

Seguiremos acompanhando a liberação das emendas em 2020, lembrando que este é um ano eleitoral, e divulgaremos detalhes oportunamente.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Nossa opinião sobre as manifestações do bolsonarismo

Pessoalmente, ainda que discordemos, não temos nada contra quem votou, com boa-fé, em Jair Bolsonaro para a Presidência da República.

Seja em repúdio aos governos anteriores, como forma de retaliação à roubalheira do PT, buscando uma opção mais à direita no espectro ideológico e partidário ou até mesmo por acreditar realmente que ele pudesse representar algo de novo na política.

Assim funciona a democracia.

Venceu a maioria, embora muitos de nós, do outro lado, julgasse que se tratava de uma opção equivocada, com um candidato despreparado, inepto e desqualificado. Mas ninguém é obrigado a pensar igual, nem ter acesso às mesmas informações sobre o histórico bolsonarista e todos os fatos desabonadores da sua trajetória política.

Da mesma maneira, não temos nada contra manifestações populares e pacíficas, sejam nas ruas, nas redes ou nas urnas, cobrando atitude, postura e coerência de políticos ou juízes. Ninguém é intocável e as liberdades de expressão e de pensamento são garantias constitucionais.

A população tem todo o direito de reclamar, reivindicar, cobrar, fiscalizar e criticar quem ela bem entender, em qualquer um dos três poderes, do Congresso Nacional ao Supremo Tribunal Federal.  Cada servidor público do município, do estado ou do país, e também a imprensa. Tudo isso é legítimo.

Agora, sob outra perspectiva, só pode ser muito desinformada ou mal intencionada a pessoa que votou em Bolsonaro mas não admite nenhuma crítica nem vê nenhum problema nas suas ações e declarações.

Quem não quer enxergar como a crise é agravada pela falta de postura e decoro do presidente. Os erros recorrentes de gestão, seja no trato da educação, da cultura, do meio ambiente ou da economia, na relação institucional com o Legislativo e o Judiciário, ou no dia-a-dia bélico e caótico deste governo.

E tem só mais um detalhezinho importantíssimo, fundamental: Manifestação democrática é uma coisa; apologia ao golpe é outra, completamente diferente.

Não vamos calar, nos acovardar nem aceitar resignados quem sai às ruas ou infesta as redes sociais com manifestações de ódio e com uma absurda e criminosa defesa da ditadura, da censura, de atos como o AI-5, o fechamento do Congresso e do Supremo.

Não tem nada de democrático nem legítimo ao pedir uma intervenção militar ou, pior, achar que é seu direito atentar contra os poderes constituídos e os pilares republicanos. Precisa ser imediatamente rechaçado quem trata com normalidade ou deboche episódios vergonhosos da nossa história, como a tortura.

Não é possível concordar com que alguém usurpe a própria democracia para defender uma ruptura autoritária, golpista.

Ou que tenha a ousadia, a ignorância e a falta de discernimento para zombar da dor e do sofrimento que atingiu a tantos brasileiros num passado recente, e que deixou feridas ainda não cicatrizadas.

Neste cenário de polarização política, eleitoral e ideológica, há muita gente sem noção. Mas deve haver também um mínimo de princípios e limites que são intransponíveis. A barbárie não pode vencer a civilização.

O que dizer, por exemplo, de mulheres que se mostram orgulhosas de ter votado em Bolsonaro e saudosas da ditadura, da censura e da tortura? Como é possível essa ausência total de humanidade, bom senso, empatia e sororidade? Será que essas mulheres sabem que ratos e cabos de vassoura eram enfiados na vagina de outras mulheres pelo simples fato de pensarem diferente? Isso é aceitável?

Não, não é aceitável. Não, não vamos calar. Não, a democracia não aceita qualquer coisa. Não, não é direito achar que se pode reivindicar a volta de uma direita totalitária. Não, eu não preciso ser de esquerda, muito menos petista ou comunista, para me opor a essa ala doente do bolsonarismo, de milicianos, cafajestes, criminosos e assassinos.

Quem não entendeu agora, nunca mais vai entender. Não por falta de informação, mas de caráter. Simples assim.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

É hora de mostrar de que lado nós estamos!

Apesar dos absurdos e atentados diários cometidos por Bolsonaro contra o estado democrático de direito, muita gente ainda faz cara de paisagem.

É como se um setor da sociedade vivesse à margem da crise. Se o sujeito que não é bolsonarista nem petista pudesse simplesmente lavar as mãos e seguir alheio aos fatos. Pagar de centrista, equilibrado ou isentão.

Mas até quando vão conseguir ignorar o que está acontecendo no Brasil e fazer de conta que está tudo indo bem?

Alguns calam por receio de se indispor com parte significativa da opinião pública que ainda apóia o bolsonarismo.

Outros se omitem para não enfrentar a fúria das milícias virtuais nem ser identificado, neste cenário de polarização ideológica burra, com a “nova direita” ou a “velha esquerda”.

Tomar partido a essa altura pode ser ruim principalmente para quem vai buscar votos como candidato em 2020 e 2022. Ora, mas o Carnaval acabou. Tirem as máscaras, amigos.

E outros ainda calam por simpatia não declarada, oportunismo ou conveniência mesmo.

Preferem a omissão e o silêncio devido à falta de coragem tanto para se opor quanto para aderir de vez ao bolsonarismo. Esses são os piores! Bolsonaristas enrustidos que não saem do armário.

Mas, cá entre nós, não se opor aos excessos do bolsonarismo não é demonstração de equilíbrio ou sensatez. É covardia! É falta de espírito público, de coerência democrática e de senso republicano!

Não dá para ficar equidistante neste cenário de confronto nas redes (e talvez, em breve, também nas ruas).

Todo democrata, todo cidadão responsável, precisa expressar a sua posição e tornar clara a sua oposição aos inimigos da civilidade, dos direitos e das liberdades individuais e coletivas!

Quem vivenciou ou conhece a história da redemocratização do Brasil, e episódios como o impeachment do Collor e da Dilma, sabe que cada brasileiro tem um papel fundamental e devemos buscar o protagonismo na definição do nosso futuro.

Quem sabe faz a hora...

#ForaBolsonaro #Impeachment

Textão para quem ainda não entendeu a nossa oposição declarada aos lunáticos do bolsonarismo

Aqui defendemos a democracia, a cidadania, a boa política, o estado de direito, as liberdades individuais e coletivas, a justiça, a cultura, a diversidade e a pluralidade do brasileiro.

Mas não estamos aqui para agradar ninguém.

Trabalhamos com informações, fatos e opiniões. As nossas e as divergentes.

Não temos chefe. Não temos dono. Nem medo de cara feia.

Muitos seguidores não entendem essa postura. Gente que chegou porque nos viu criticar o PT ou apoiar a Lava Jato, fica indignada agora quando nos declaramos oposição ao bolsonarismo.

Pois é isso mesmo, gostem ou não!

Aqui não é fã-clube de bolsonarista, nem de petista, nem de tucano, nem de partido nenhum.

Não temos rabo preso. Nem guru. Nem bandido de estimação.

Acusação de comunista, esquerdalha ou asneiras do tipo também não colam.

Compromisso só com a nossa própria consciência.

Mas não somos isentões. Longe disso!

Fazemos jornalismo à moda antiga. Não aquele "showrnalismo" chapa branca que serve ao poder da ocasião, aos poderosos e bajuladores de plantão.

Tem gente que ainda pensa que o jornalismo deve ser sempre neutro, isento, imparcial. Nada disso. Temos lado. Temos posição declarada. O que não temos é partido único.

O jornalismo político é essencialmente de oposição. Fiscalizamos os políticos. Cobramos coerência, eficácia, decoro e responsabilidade de todos os governantes. Exigimos transparência e satisfação ao público. Jogamos luz sobre conchavos e esquemas de bastidores.

Para elogiar governos e bajular políticos, o Brasil não precisa de jornalistas. Estão aí publicitários, marqueteiros, assessores, servidores, militantes, fanáticos, influenciadores, admiradores e eleitores em geral.

Esse é o objetivo da existência de espaços como o #Suprapartidário, o #CâmaraMan e o #ProgramaDiferente, cada um com as suas características, mas todos atuando em parceria na trincheira democrática e independente do bom jornalismo.

Apesar dos mais de 150 mil seguidores nas redes, não dependemos da quantidade de curtidas, views, comentários ou compartilhamentos.

Tanto faz se a milícia virtual aprova ou desaprova as nossas postagens. Não nos preocupamos com engajamento, nem com patrulhamento ideológico.

Defendemos a imprensa livre e independente, a liberdade de expressão e de pensamento. Até para postar opiniões contrárias às nossas, como é praxe diária ao criticarmos o bolsonarismo.

Porém, o troco é dado sempre na mesma moeda. Comentário civilizado, com argumentos racionais, receberá uma resposta educada. Xingamentos, agressões ou ameaças terão uma reação na mesma proporção.

A barbárie não vai vencer a civilização. Temos respeito zero por saudosos de ditaduras (de direita ou de esquerda), defensores da censura, de intervenções militares ou de métodos deploráveis como a tortura. Essa escória da sociedade será rechaçada nas nossas páginas.

Basicamente é isso. Segue quem quer.

Sintam-se todos bem vindos.

Mas, para os descontentes, a porta da rua é serventia da casa.

E viva a democracia e a liberdade!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Festa de cancelamento do Bolsonaro e do bolsonarismo

Enfim passou o Carnaval, a maior festa de cancelamento do bolsonarismo que se tem notícia no mundo!

Do mundo todo mesmo, sem exagero, porque a fama do "mito" é global. Nesta foto, por exemplo, Bolsonaro é lembrado até no Carnaval da Alemanha.

Pois se existe alguém que aprendeu a importância de cancelar nazistas e ditadores desde os primeiros sinais da doença, por mais folclóricos que pareçam, é o povo alemão.

Agora 2020 já pode começar oficialmente, embora sob o terror de duas doenças contagiosas letais: o coronavírus e o bolsonarismo.

Por isso o momento parece bastante oportuno para cancelar preconceitos, ignorâncias e intolerâncias, do machismo ao racismo, da misoginia à homofobia, das ameaças ao estado de direito até a aversão às ciências.

A última obra do bolsonarismo - que vive obrando para o Brasil, para a educação, para a civilidade e para a democracia - é apoiar uma manifestação golpista contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Nada com mais cara de quarta-feira de cinzas... Mas já que o clima de festa se prolonga o ano inteiro no País do Carnaval, que este cancelamento das ideias e das pessoas obscurantistas também prossiga além desses cinco dias de diversidade, conscientização e extravasamento das liberdades.

Se nem no BBB se aceita mais esse tipo repugnante de "macho tóxico", então que o eleitorado também aprenda a reagir à escória que se apoderou do Brasil nas urnas, nas redes e nas ruas.

Mas que fique claro: não somos saudosistas, queremos andar para a frente, não desejamos a volta de nenhum bloco de sujos dos antigos carnavais...

Queremos que o brasileiro acorde para a realidade, se volte para o futuro e reaja ao domínio inaceitável das milícias de fanáticos e hordas de lunáticos à direita e à esquerda, de predadores e depredadores do meio ambiente, de disseminadores do vírus da violência e do ódio.

Que o Carnaval não tenha fim, mas o bolsonarismo, sim!

#ForaBolsonaro #Impeachment

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Já viu o bloco dos prefeituráveis? Partiu, Carnaval!

Ainda faltam pelo menos quatro meses para a definição oficial das candidaturas à Prefeitura de São Paulo, mas vamos aproveitar essa pausa do Carnaval para trocar algumas ideias, fazer projeções e atualizar informações sobre o bloco de possíveis ou prováveis candidatos.

Há muito balão de ensaio. Nomes são cogitados apenas para medir forças e sentir a repercussão.

Sobram incertezas: Como estará a rejeição ao atual prefeito? O eleitor vai manter a tendência histórica de eleger um candidato de oposição, como em sete das últimas nove eleições, desde a redemocratização?

Até que ponto o apoio do presidente Jair Bolsonaro vai ser relevante nas eleições paulistanas? E o do governador João Doria? O cenário seguirá polarizado? E essa polarização se dará entre bolsonaristas e tucanos ou os petistas vão recuperar apoio? Existe espaço para uma candidatura alternativa a esses partidos?

Nesta semana, a notícia sobre o bom resultado do tratamento de saúde do prefeito Bruno Covas (PSDB) animou a sua pré-candidatura à reeleição. A conversa recorrente entre os aliados agora é sobre a vaga de vice. Fala-se de tudo e de todos. Quem será?

Uns defendem chapa pura dos tucanos, e neste caso o nome da senadora Mara Gabrilli desponta com algum favoritismo. Mas a disputa segue acirrada. Partidos como PSC, Podemos, Cidadania, DEM e PL devem compor a coligação tucana e o vice pode sair de um acordo desses partidos, com vantagem para o Democratas.

Mas também se especula o apoio do Republicanos, e o vice então poderia ser Celso Russomanno.

Ou do MDB, onde o fato novo depois do Carnaval será a filiação do apresentador José Luiz Datena.

Ambos são cotados tanto para a vice de Bruno Covas como para disputarem a eleição em vôo solo. Haja pesquisa interna e discussão nos próximos meses para se chegar a uma conclusão.

As datas mais importantes nesse calendário pré-eleitoral são: de 5 de março até 4 de abril abre a janela para os atuais vereadores eventualmente mudarem de partido, se bem que vários já migraram antes disso.

O dia 4 de abril também é o prazo final para os bolsonaristas tentarem a improvável formalização do partido Aliança pelo Brasil a tempo de concorrer em 2020.

A caça ao voto bolsonarista será intensa: Joice Hasselmann e Major Olímpio são os nomes mais óbvios, mas Datena, Russomanno, Paulo Skaf e (aqui sim uma novidade) até o ex-tucano Andrea Matarazzo, atualmente no PSD de Gilberto Kassab, correm por fora.

O movimento de Matarazzo em direção ao bolsonarismo envolveria Skaf (hoje no MDB, mas a caminho do Aliança) e pode realocar Kassab no poder (ele que já esteve atrelado ao malufismo, aos tucanos e aos petistas, sempre bem posicionado). Aliás, Kassab foi também o único prefeito paulistano a se reeleger, em 2008, depois de ter herdado o cargo de José Serra em 2006.

O PT - que administrou a cidade por 12 anos nas últimas três décadas (com Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad) - sonha em voltar à Prefeitura. Para tanto, tem hoje sete pré-candidatos inscritos nas suas prévias: Alexandre Padilha, Paulo Teixeira, Carlos Zarattini, Eduardo Suplicy, Jilmar Tatto, Nabil Bonduki e Kika Silva.

Porém, o preferido de Lula e da militância petista, quase unanimidade mas ainda relutante a tentar nova eleição, é o ex-prefeito e ex-presidenciável Fernando Haddad.

A chapa dos sonhos lulistas é Haddad prefeito com Marta Suplicy (ainda sem legenda) de vice.

Uma escolha errada do PT pode significar um encolhimento desastroso do partido, que desde 1988 polariza as eleições paulistanas (primeiro contra Maluf e Celso Pitta, depois contra Serra, Kassab e João Doria) e elege as maiores bancadas para a Câmara Municipal.

No mesmo campo ideológico, o PCdoB apresenta Orlando Silva e o PSOL tem três potenciais candidatos: Sâmia Bomfim, Carlos Giannazi e Guilherme Boulos (com Erundina vice na chapa dos sonhos do partido - ou, por outro lado, do pesadelo petista). Um candidato fraco do PT pode deixá-lo atrás do PSOL em quantidade de votos, o que seria uma derrota verdadeiramente humilhante.

Quem tenta ficar bem na foto e viabilizar uma candidatura alternativa à polarização, mas que só se tornaria viável se reunisse ao mesmo tempo anti-petistas, anti-tucanos e anti-bolsonaristas, ou pelo menos dois desses grupos, é o ex-governador Marcio França (PSB). Missão quase impossível.

No campo neoliberal, para marcar posição no 1º turno, eleger vereadores e eventualmente apoiar o candidato mais à direita que chegar ao 2º turno, aparecem os nomes de Filipe Sabará (Novo) e Arthur do Val, o "Mamãe Falei", jovem liderança do MBL e recém-filiado ao Patriotas.

Enfim, este é o cenário eleitoral paulistano às vésperas do Carnaval. De tempos em tempos voltaremos ao tema para reavaliar as opções disponíveis. E você, já tem candidato?